Veredas
Música e tradição popular no Brasil
Vida de cantador: Humberto do Maracanã
Palmeiras balançam no Maracanã. O maracá de prata do Guriatã comanda o Batalhão de Ouro. No encalço do boi, a comunidade pulsa no sotaque da matraca.
Maracanã é bairro da zona rural de São Luís que mantém viva (e crescente) a tradição do bumba-meu-boi de matraca – ou sotaque da ilha. O Boi de Maracanã figura ao lado do Boi da Maioba como os dois maiores brinquedos do Maranhão.
Nascido em 1939, Humberto Barbosa Mendes tem o hábito do boi desde menino. Figura emblemática, iniciou-se como compositor e intérprete de toadas aos 12 anos de idade. Aos 34, tornou-se Cantador Humberto do Maracanã. Hoje é reconhecido pelo Ministério da Cultura como Mestre em Cultura Popular e um dos maiores divulgadores da tradição musical maranhense.
Cantador Humberto pertence à Velha Escola do Boi. Tem acompanhado a evolução da brincadeira – ou se adaptado aos novos tempos. De auto proibido (que se viu resguardado nas periferias de São Luís), ao atual fenômeno de turismo, os cinco sotaques do boi – matraca, orquestra, zabumba, costa de mão e pandeirões – correm soltos por ocasião dos festejos do mês de junho.
“O boi no Maranhão é secular, sempre existiu. Desde uns 20 anos pra cá, ele se desenvolveu bastante. Tem muitos grupos hoje”, diz Humberto em entrevista ao programa Veredas gravada no dia 16 de março de 2004, ocasião em que esteve em São Paulo como convidado do projeto Turista Aprendiz, do grupo A Barca.
Cantador Humberto é o Guriatã, porta-voz do boiato, sinônimo do lugar. A lira do cantador é seu maracá de prata. A toada nasce na boca do amo e cresce forte no batalhão, gigante como as árvores do quintal.
“O brasileiro, em alegria, sátira, sentimentalismo, piedade, justiça e arbítrio, samba e oração, está reunido no Bumba-meu-boi”. (Cascudo)
GALERIA - Bumba-meu-boi de sotaque maranhense

O fotógrafo Rafael Lage também é artesão e malabarista. Viajante inquieto, percorre o Brasil e vem construindo narrativa com foco na cultura popular. Suas fotos estão em exibição permanente na sala “Identidade cultural e musicalidade”, do Museu à Descoberta do Novo Mundo, em Belmonte, Portugal.
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