Veredas
Música e tradição popular no Brasil
Recife, um satélite na cabeça
Emergência! Um choque rápido ou o Recife morre de infarto.
Mangue: a cena | Em meados de 1991 começou a ser gerado e articulado em vários pontos da cidade um núcleo de pesquisa e produção de ideias pop. Objetivo: engendrar um “circuito energético” capaz de conectar as boas vibrações dos mangues com a rede mundial de circulação de conceitos pop. (in Da lama ao caos, 1994)
A Cidade Maurícia cresce desordenada. No mesmo ano-marco brotam do mangue Da lama ao caos, Samba esquema noise (ambos de 1994) e Mestre Ambrósio (1996) – revelando três faces do movimento. Depois veio o Baile perfumado, compilação histórica. Otto, em São Paulo, lança seu Samba pra burro (1998).
No ano 2000, a Candeeiro Records lança seu Baião de Viramundo, disco que também marcou época. Fora da manguetown, aparece o Cordel do Fogo Encantado (no portal do sertão). Siba encontra na mata norte sua Fuloresta do samba.
O estilo original de Olinda é revisto pela Banda Eddie. DJ Dolores encontra Isaar e a Aparelhagem em 2005, mesmo ano que sai um clássico das Veredas – Alteradores de estado em Mauritsstadt dub. Mais de uma década depois, a Nação continua a envenenar sua Fome de tudo.
O antropólogo Hermano Viana assina uma contracapa da Nação: “O Brasil é um país de famintos. Um país que (como já disse Gilberto Gil) só conhece raiz se for de mandioca. Um país que, para saciar sua eterna fome, pode até misturar maracatu rural com heavy metal. Tudo isso com molho de caranguejo mutante. Do mais profundo mangue”.
Nesta edição, 15 anos mangue. Em álbuns que fizeram a cabeça de muita gente. Satélite!
Programa apresentado no dia 4 de janeiro de 2010.
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