Veredas
Música e tradição popular no Brasil
Quase sem palavras
Do banco do maracatu à banda cabaçal. Do violeiro do Urucuia aos ogãs do Camdomblé. A qualidade do instrumentista de formação tradicional equivale a qualquer graduado no ensino “acadêmico” de música. A performance de muitos desses brincantes também pode ser comparada à tecnica de muitos solistas. Graças a eles, uma série de instrumentos dados como “extintos” em outros territórios se aclimataram e sobreviveram por aqui, como o orocongo (de origem africana) e a rabeca (de tradição mourisca).
A rabeca de Seu Nelson da Rabeca ou de Seu Luiz Paixão é instrumento que tem sobrevida a partir do final dos anos 1990, saindo das velhas brincadeiras e se incorporando ao palco, como nos trabalhos de Maciel Salu e em bandas como Mestre Ambrósio, de Siba.
Os pífanos, ao lado da zabumba e dos ferrinhos (ou triângulo), integram o conjunto instrumental caboclo mais europeu que se tem notícia, com ligação direta entre o sertanejo e as bandas militares ibéricas. Os irmãos Aniceto, do Crato, e os irmãos Marcos e João, de Caruaru, são exemplos de famílias que mantêm essa formação para todas as ocasiões sociais de sua “vila”: de festa de santo a comício de político, de acompanhamento de enterro a festejo cívico. Toques e afinações da viola garantem a originalidade e a diversidade sonora desse instrumento nacional por excelência. Sem falar no imaginário em torno do pinho, que chega a envolver de santo violeiro (São Gonçalo) a pacto demoníaco, entre outras tantas histórias que se unem à técnica de violeiros como Seu Manelim, do sertão roseano, João de Deus, baiano de Pilar, além do paulista João Paulo Amaral.
Nesta edição, esses e alguns outros instrumentistas preenchem de graça estas Veredas (quase) sem palavras.
- Quase sem palavras
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Veredas
Quase sem palavras
Apresentado originalmente na RCB em 16 de maio de 2011
Produção, roteiro e apresentação: Julio de Paula
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Haydée Gonçalves Melo
Que satisfação ouvir esses mestres instrumentistas!