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  • Diva do tecnobrega, a cantora e compositora Gaby Amarantos lança em 2011 disco produzido por Carlos Eduardo Miranda. Divulgação / Site oficial Gaby Amarantos

    Pop Pará, Belém hoje

    Julio de Paula | 03.05.2011

    Em 2002, o então colaborador destas Veredas, DJ Dolores, nos apresentava a música do tão distante Belém do Pará. Tratava-se de um CD “pirata”, cópia da cópia da cópia que estampava na arte de capa o título “O melhor das guitarrads” (sim, sem o “a”, porque este não cabia no tamanho do projeto gráfico). Naquela ocasião, começamos a entender que aquele tipo de produção e distribuição da música não era comum à indústria fonográfica que estávamos acostumados. DJ Dolores também nos fez conhecer a música de Pio Lobato, guitarrista e produtor que naquela ocasião também nos deu uma aula de guitarradas e afins. Quase uma década atrás, também abrimos nossos ouvidos para entender que a música do Norte está muito mais próxima do Caribe do que da sonoridade que nós, do Sul, estávamos acostumados. Muito além do exótico, aqui estamos tratando da música do outro.

    Os anos 2000 vieram desenvolver um mercado musical próprio em que o Pará popular consome sua música por meio de uma distribuição paralela e congestiona as cerca de 3 mil festas mensais de aparelhagem pela grande Belém (foto abaixo: Aparelhagem Tupinambá). Esse mercado também movimenta o lançamento de 2 mil discos anuais (dados de 2003) produzidos em sistema de economia total de recursos que acabam por baixar a quase zero os custos de um álbum. Essa última informação diz respeito à criação (na linha genética do “estilo” brega) de mais um gênero: o tecnobrega e seus variantes.

    Hermano Vianna, antropólogo, antevia o nascimento do tecnobrega já no início do milênio: “É o velho brega, com batida mais acelerada, feito só com sons de computadores. Parece um Kraftwerk de palafita, produzido sob calor equatorial por quem escutou muito carimbó, cumbia, zouk e Renato e Seus Blue Caps - e não domina ainda totalmente os recursos do 'cut-and-paste' que hoje estão na base dos softwares de produção musical que podem ser baixados de graça em sites piratas da internet”, diz em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo.

    Na Belém de hoje, a música eletrônica não seria possível sem a experiência “elétrica” das guitarradas, muito menos sem o diálogo com o carimbó, com a cumbia, o brega e outras tradições locais. Com ouvidos atentos, podemos entender a conversa entre gerações e tradições. Dona Onete que influencia Gaby Amarantos que está à frente do tecnobrega que gera matéria para o La Pupuña e Felipe Cordeiro (*). No fecho desta corrente, Pio Lobato, que além de seu trabalho-solo, integra o carimbó de Dona Onete, acompanha Mestre Vieira e interage com todos os outros. Considerar a música viva em seu contexto social e cultural é tarefa para estas Veredas. Assim como aproximar as distâncias entre Belém e todos nós.
     

    • Pop Pará, Belém hoje - Veredas


    (*) Para esta edição, Felipe Cordeiro disponibilizou duas faixas de seu álbum inédito Kitsche pop cult.

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    Veredas
    Pop Pará, Belém hoje

    Apresentado originalmente na RCB no dia 2 de maio de 2011
    Apresentação, produção e edição: Julio de Paula

     

    EXIBIÇÃO 02.05.2011, 20:00

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