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  • Capas de LPs lançados nos anos 1970 que deram vazão à uma pequena parcela da produção além-metrópoles. Reprodução

    Pelas veredas do vinil

    Julio de Paula | 08.04.2011

    "Bumba-meu-boi é antes de tudo uma festa: para quem assiste e para quem participa. Neste disco você terá apenas uma pálida ideia do que é essa festa”, adverte o encarte do LP Bumba-meu-boi Sotaque do Pindaré, lançado em 1972 pelo selo Fontana/Phonogram. De carona neste clássico do Maranhão, vale dizer que entre os anos 1970 e 1980, um sem-número de vinis “de tradição” foram editados no Brasil e que este programa é apenas uma “pálida ideia” desse universo.

    Uma busca rápida pela discoteca da Fundação Padre Anchieta revelou uma série de títulos cujas capas entregam a segmentação de mercado: divulgação do repertório das religiões afro-brasileiras (provavelmente para os fiéis dos terreiros), música caipira com pitacos modernos (talvez para atingir novos públicos), além de compilações que parecem dar conhecimento de artistas locais ou “regionais”. Neste último caso, insere-se o álbum duplo O melhor da música regional do Norte e Nordeste, de 1975, lançado pela Continental. Muito além dos discos Marcus Pereira, fica a impressão que naquela altura as gravadoras tinham espaço comercial para divulgação da música de tradição, mesmo que fosse pequeno.

    Nordeste: cordel, repente e canção, também de 1975, tem 40 minutos de “música do povo” selecionados do documentário cinematográfico de Tânia Quaresma. O álbum prova que também havia investimento institucional: tem patrocício da Vasp, que então assinava: “Nós conhecemos melhor o Brasil”. Também vale menção, Repentistas do norte de Minas (1986), álbum editado pela prefeitura de Montes Claros. Embora o LP estampe na capa e na contracapa o nome do prefeito e de seu partido, o registro serviu para assegurar a música de uma série de mestres do São Francisco.

    Digno de nota é o trabalho de Ely Camargo, que em 1983 gravou Cantigas do povo, água da fonte, reunindo e recriando uma série de pérolas do repertório, incluindo incelências da Amazônia e um Bendido de Santa Luzia, recolhido no Juazeiro do Norte, Ceará.

    Como estampas (ou atestam) as contracapas desses vinis, Disco é cultura!

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    EXIBIÇÃO 04.04.2011, 20:00

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