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  • Animais fantásticos do pernambucano J. Borges, mestre da xilogravura. Reprodução

    Na roda dos bichos

    Julio de Paula | 04.08.2011

    Há terras incultas além muito longe
    Há bichos terríveis nas terras incultas


    Nas fábulas, os animais tomam a função consciente das virtudes e vícios humanos. O leão é o valente. A raposa e o macaco são espertos. A anta é a estúpida. O jumento, obstinado. O bode pode representar a luxúria. Segundo Câmara Cascudo, muitos desses animais eram dedicados aos deuses da Grécia e conservam os característicos do culto desaparecido, sobrevivendo por meio dos contos, com as convergências e deturpações naturais. Também é no dicionário de mestre Cascudo que “bicho” é apresentado como “Todo animal que não é homem, nem ave, nem peixe”. Também, bicho pode ser todo animal (seja homem, ave ou peixe, de formas colossais, ou estranhas à espécie, ou muito feios). Bicho pode ser coisa extraordinária, inexplicável.

    Mandu Sarará, Zabelinha e Jaraguá são deuses e bichos fantásticos que abrem os caminhos das matas e envolvem os animais reais antropomorfizados (ou não) nesta roda dos bichos que não para de girar. O tatu prepara a cova enquanto o boi nasce e renasce a cada ano. Sem falar no bicho-mestre, encantado e cultuado na religião do Maranhão. No cordão da bicharada, os pássaros têm participação mais que especial, principalmente nas operetas encenadas em plena floresta amazônica. No Nordeste, tem piau peixe-cachaça; tem jabuti que sabe ler e não sabe escrever. E o besouro mangangá está espalhado por aí, na fulô e na brincadeira.

    A lua nova traz esperança ao beija-flor enquanto os índios (de cara pintada de bicho) procuram o dono da araruna, arara azul.
     

    • Na roda dos bichos - Veredas

     

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