Veredas
Música e tradição popular no Brasil
Identidade vocal da melancolia
“Melancolia é pedir uma cerveja quente para festejar a pouca fartura!”
Ela é de pouca fala e muita música. Música que desde sempre esteve na veia da família. Em casa, uma coleção de vinis formou seu gosto. Os mestres de maracatu ensinaram a resposta coletiva.
A cantora e compositora pernambucana não se debruçou a estudar música. Com muitos aprendizados, se jogou na ciranda de ritmos e melodias (como, a seu gosto, deveria fazer toda cantora popular brasileira).
Isaar integra a geração pós-mangue. Solta a voz com a banda feminina Comadre Florzinha, que no final dos anos 1990, reunia seis meninas em torno do repertório tradicional. Depois participa dos projetos de DJ Dolores – Santa Massa e Aparelhagem – e encontra o canto solista. Com Dolores viaja pelo mundo, ampliando horizonte.
Compositora de invenção, em colaboração com seu trio de rock, trabalha com gestos tradicionais velados.
Tristeza-jaburu
Paulo Prado em seu Retrato do Brasil, ensaio sobre a tristeza brasileira, publicado em 1928, diz: “Entre nós o círculo vicioso se fechou numa mútua correspondência de influências: versos tristes, homens tristes; melancolia do povo, melancolia dos poetas”.
Essa imagem nos leva ao timbre de Isaar, cantora de voz única. DNA “tradicional” na intenção e na textura. Identidade vocal melancólica feito ciranda, roda triste de beira-mar.
“A minha gelada, por favor!”
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