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  • À esquerda, membros da Missão de Pesquisas Folclóricas a caminho do Brejo dos Padres, em Tacaratu (PE), 1938. Em seguida, gravação em Torrelândia, João Pessoa (PB), 1938. Acervo CCSP

    Cartas geográficas

    Julio de Paula | 25.05.2010

    A ideia de cartografia ou de mapeamento e registro da música popular tradicional tem norteado antropólogos e etnomusicólogos desde a invenção do fonógrafo de Edson. O primeiro brasileiro a realizar gravações de campo em território nacional foi Edgard Roquette-Pinto.

    Ainda na década de 1920, Mario de Andrade observava a importância desses registros para o conhecimento do mapa sonoro brasileiro: “Nossa música popular é um tesouro prodigioso condenado à morte”, afirmava. “A fonografia se impõe como remédio de salvação.” O autor de Macunaíma foi além – propôs ao Patrimônio Histórico projeto de gravação regular das tradições que se renovam a cada dia. Vislumbrava assim, o que seria nos anos 2000 classificado como "patrimônio imaterial".

    Talvez o mais antigo projeto (de fato) de gravação e catalogação da música brasileira tenha sido a Missão de Pesquisas Folclóricas. Idealizada por Mário de Andrade, com as colaborações de Oneyda Alvarenga e Dina Levi-Strauss, a Missão percorreu Norte e Nordeste em 1938.

    Revelar a diversidade cultural do Brasil contemporâneo é força-tarefa para projetos pontuais, como a formação do Acervo Cachuêra!, a série Música do Brasil, idealizada por Hermano Vianna com direção musical de Beto Villares, além do Turista aprendiz, realizado pelo grupo A Barca. Todos na trilha de Mário de Andrade, propondo desmistificar fronteiras geográficas.

    Outros mapas do Brasil foram traçados entre os anos 1970 e 1980 por meio da série Documento sonoro do folclore brasileiro, produzida por Hermínio Bello de Carvalho para a Funarte. Mas um dos mapeamentos mais originais da história da discografia brasileira foi, sem dúvida, a coleção Marcus Pereira. Ícone dos anos 1970, os vinis traziam gravações de campo ao lado de recriações do repertório tradicional por estrelas da MPB, como a gaúcha Elis Regina.

    Um mapa (sonoro) na palma da mão nos ajuda a diminuir distâncias e a pisar no chão de terra batida. Boa viagem!

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