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  • Cantigas de mar e terra

    Julio de Paula | 18.01.2010

    “E vendo a nau tão destroçada e qual vinha, e a nós tão disformes de fome, ficaram atônitos, e com muita compaixão começaram a chorar e nos deram logo do pão, água e fruta que para si traziam”. (Bento Teixeira Pinto relata o naufrágio de Jorge de Albuquerque Coelho, 1552)

    “Se a ciência diz que somos água, nossa essência é feita dos oceanos nos quais nos originamos”, diz Ana Miranda.  Para a romancista, tratar de antigas histórias do tempo das navegações é como que revolver partes profundas da memória distante, da qual só temos indícios em sonhos e impressões fugazes.

    As epopeias marítimas dos portugueses somadas às batalhas entre mouros e cristãos por ocasião da reconquista do território ibérico, hoje permanecem no cerne de um grande número de brinquedos, xácaras, romances, cortejos e encenações daqui e de lá.

    Sobe, sobe, calafatinho
    Meu marinheiro real
    A ver se avista mar ou terra
    Ou as praias portuguesas

    Nesta audição, a Nau Catarineta de Mestre Deda (PB), o Fandango de Mestre Romão (PR), a Congada de São Sebastião (SP) e o registro histórico da Congada de Lambari (MG), recriam feitos vividos ou celebram a imaginação de Mar e de Guerra.

    Em terra firme, Mestre Manuel Venâncio ensina a “pisar” o chão e levantar a morada. Zé Miúdo e Silva da Paraíba cantam a dor da separação – saudade que vai, soledade que fica.



    [ ] Programa apresentado no dia 18 de janeiro de 2010.
     

    EXIBIÇÃO | PRODUÇÃO

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