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  • Metá Metá em pessoa: Thiago França (e.), Juçara Marçal e Kiko Dinucci. Divulgação

    Afro-sambas de hoje (ou O novo batuque paulista)

    Julio de Paula | 13.06.2011

    São Paulo, Barra Funda, anos 1900
    O desenvolvimento do bairro está ligado à construção das estradas de ferro e da estação para escoamento de mercadorias. O início do século 20 marca a chegada dos primeiros negros, que se juntam aos já instalados imigrantes italianos. No Largo da Banana, negros carregadores vendem suas frutas. Nas horas vagas improvisam no samba. Está instaurado o “berço” do samba paulista.

    São Paulo, Av. Rangel Pestana, 1931
    Em pleno Carnaval, Mário de Andrade vadeia pelos arredores da “estaçãozinha” da São Paulo Railway e ouve roncar um “samba grosso”. Mestre Mário se interessa em pesquisar esse outro sotaque do samba, diferente do carioca, diferente de qualquer outro.

    Cidade de Pirapora, SP, anos 1930
    Naquela década, o autor de Macunaíma faz viagens pontuais durante a festa do Bom Jesus para recolher melodias, reunidas posteriormente no ensaio “O samba rural paulista”, publicado em 1941. “Minha maneira pessoal de colher do natural estas peças foi a seguinte. Fixar texto e melodia até sabê-los de cor, cantando-os mentalmente com os sambistas. (...) Não tenho audição absoluta perfeita, não me sinto com o direito de garantir com inteira certeza, a tonalidade dessas colheitas do natural”, descreve.

    Além de se entusiasmar com o caráter e sentimento das melodias, Mário de Andrade foi surpreendido pelo “sublime de coreografia sexual o par que se formou de repente no centro da dança coletiva”. E também relata a coreografia dos sambadores.


    Sangue negro em transe em Pirapora do Bom Jesus (SP). Foto de Claude Lévi-Strauss.


    São Paulo, Barra Funda e outros bairros, anos 2000
    Caminhando pelas ruas da Barra Funda, Kiko Dinucci se inspira pela história dos velhos bambas e prova que o samba ainda está no ar; seu trio Metá Metá é pura energia de preto velho. Nas rodas espalhadas pela cidade se ouvem os atabaques de Douglas Germano que canta pra Xangô ou as cantigas de Reverendo, que resguardam a aura dos tambores. Tem também a umbigada de Lincoln Antonio. Sem falar em Juçara Marçal, a melhor voz paulistana para esses batuques. Todos esses nomes de hoje, que lançam suas músicas na rede mundial de computadores, são batizados pelo signo de Geraldo Filme, o primeiro nome do samba paulista: “Lá no barraco / tudo era alegria / nego batia na zabumba / e o boi gemia”.
     

    • Afrosambas de hoje (ou O novo batuque paulista) - Veredas

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    Veredas
    Afro-sambas de hoje (ou O novo batuque paulista)

    Apresentado originalmente na RCB no dia 6 de junho de 2011
    Produção, roteiro e apresentação: Julio de Paula

     

    EXIBIÇÃO 06.06.2011, 20:00

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