AfroBrasil
Entre a consciência do negro e do feitor
Ô de cavucá
Criola de cavucá
Olha terra que tem minhoca
Eu gosto de cavucá
Cavucá pra depois pra prantá
Cadências e ritmos, sentimentos especiais de cor e gesto. Flagrantes na feição da gente brasileira marcada de África em corpo e espírito.
Darcy Ribeiro, antropólogo e pensador do Brasil, inspira esta edição com as matrizes africanas de sua gestação étnica do povo brasileiro. Em franca lucidez, Darcy cruelmente adverte que cada brasileiro carrega consigo a cicatriz do torturador impressa na alma. Ao mesmo tempo descendentes de escravos e de senhores de escravos, seremos sempre servos da malignidade destilada e instada em nós. “Pronta a explodir na brutalidade racista e classista”, completa.
Em O povo brasileiro, Ribeiro reafirma nossa dualidade: “A doçura mais terna e a crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer de nós a gente sentida e sofrida que somos e a gente insensível e brutal, que também somos”.
Séculos de exploração geraram imenso contingente de negros (e negros da terra) supliciados pela chibata do feitor. Devemos obrigação eterna. Sentimentalmente agradecidos, salvamos Clementina, Pixinguinha e seus antepassados.
África, cadê
Seu trono de Rainha, cadê
Dona da Realeza, cadê
Mãe da matéria-prima, cadê
Vai levar vida inteira pra lhe agradecer
(Rainha, Céu)
Veredas AfroBrasil pede passagem.
“Abre o caminho, o sentinela está na porta”.
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