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  • O inquieto músico e agitador cultural Ricardo Peres. Divulgação

    Ricardo Peres, um pianista sem casaca

    da redação | 02.07.2010

    “Existe uma expectativa do concertista se apresentar de forma conservadora”


    Crítico do fraque, o “uniforme” do pianista, o inquieto Ricardo Peres iniciou carreira num recital na TV Cultura em 1982 (vídeo logo abaixo). Estudou com Amaral Vieira, no Brasil, e Caio Pagano, nos Estados Unidos. Viveu e desenvolveu carreira no Canadá. De volta a São Paulo, tem pensado em questões muito além de seu instrumento musical. “O bem cultural hoje é tratado como qualquer outro produto do mercado de ações. Foram ‘comodificados’ e o denominador fundamental desse processo chama-se lucro”, revela.
     



    “Não é de hoje que a música vem”


    Em 2009, a revista Nature noticia a descoberta numa caverna da Alemanha de uma flauta datada do período paleolítico. “O que a gente sabe é que há 35 mil anos já se fazia música que provavelmente se aplicava em prol da coesão social, em algum ritual”, diz Ricardo. Séculos depois, com a invenção do fonógrafo de Edson, a arte é colocada como função de mercadoria. “Mas tem formas de aplicar a música muito além do entretenimento”, diz.
     


    A democratização da música erudita está presente em performances protagonizadas por Peres, como Chopin voador, apresentada no Vale do Anhangabaú na Virada Cultural 2010, em São Paulo.


    Música como agente social

    Em sua carta aberta aos amantes da música, Ricardo Peres provoca a discussão: “O paradigma musical da humanidade mudou bastante em termos de produção, distribuição e aplicação no curso das últimas poucas gerações, mudança que tem causado muito debate por ser tão radicalmente inovadora e, mais recentemente, tão acelerada. Alguns dizem que o denominador de qualidade caiu, diluindo o valor da arte musical. Outros discordam e dizem que é preciso ampliar o acesso horizontalizado para todas as artes daqui para frente. Enquanto isso, a lucrativa indústria fonográfica, viabilizada por Thomas Edison e estruturada na lei de copyright, foi geometricamente reduzida com o aparecimento das tecnologias de compartilhamento de arquivos digitais (P2P), assim causando ainda mais debate”. Peres continua em texto publicado na rede: ”Sendo as mudanças discutidas de origem estrutural e sistêmica, cabe uma análise visando identificar oportunidades novas, já que o novo paradigma pede por um novo enfoque; uma forma mais atualizada de perceber a música, que nos permita, individual e coletivamente, potencializar e usufruir plenamente de seus benefícios no século XXI”.




    No contexto do programa, a discussão sobre a democratização aparece (mais do que nunca) em nossa investigação sobre o gosto. Levamos para a Rua 25 de março, zona de comércio popular do centro paulistano, um "Scherzo", de Fréderic Chopin. Todos os entrevistados, muitos praticantes de música em coros de igreja, gostaram do que ouviram.

    EXIBIÇÃO 02.07.2010, 20:00

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