Supertônica
Um programa sobre o gosto
Mané Silveira: instrumental do Brasil
“O sax me libertou”
No final do ano de 1976, na Inglaterra, ele gastou o dinheiro da irmã comprando um saxofone alemão. Seu “libertador”, o dono de uma lojinha em Cambridge, ironicamente se chamava Mr. Freeman. No ano seguinte começou a estudar com Roberto Sion. Sua primeira gravação se deu ao lado de Arrigo Barnabé – um solo de sax soprano em “Instante”, peça do álbum Clara Crocodilo.
Integrou a fase “efervescente” da música instrumental, no início dos anos 1980. Para conquistar novas plateias tocou em estação de metrô. Para se conectar com o público, nunca radicalizou. “Busca o famoso ponto de encontro de uma música mais elaborada, ‘erudita’, com a natureza de comunicação mais vibrante da música popular instrumental”, diz. Mané defende que a música instrumental deveria se aprofundar em matéria de composição.
O saxofonista é um performer privilegiado pelo instrumento. “Tem um negócio como da própria voz. É possível teatralizar”, diz Arrigo. “É corporal. Também impressiona a variedade de sons”, completa Mané.
Imediatismo consumista versus “esforço gostoso” da arte
“As pessoas têm de ser satisfeitas no seu desejo estético seja ele qual for. Acredito que a gente tem que se abrir para ouvir coisas diferentes, tentar ir além da esfera do gosto. É importante exercitar a sensibilidade.”
“Muita informação e pouca formação”, pondera Mané. “A sociedade está mudando muito. Você tem uma avalanche de informação, internet e tal. E uma certa banalização das coisas. Hoje você tem a capacidade de armazenar 40 mil músicas numa caixinha. Mas você vai ouvir quando, em quantas encarnações?”, ironiza.
Mané Silveira Quinteto
Nesta edição gravada em maio de 2010, Mané Silveira apresenta seu álbum em colaboração com Tiago Costa, Ricardo Matsuda, Zé Alexandre Carvalho e Cleber Almeida. Com destaque para peças de sua autoria, além de uma composição assinada pela mãe, “Despretensiosa”, de Cidinha Silveira.
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