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  • Graduada em Engenharia pela USP, Ligia Amadio é uma das poucas maestrinas brasileiras. Sua discografia reúne 11 álbuns e cinco DVDs. Divulgação

    Ligia Amadio, a mulher e a orquestra

    Da redação | 29.06.2010

    Aos cinco anos pediu para estudar piano e nunca mais parou. Ela é uma das poucas mulheres a conquistar o podium das orquestras, até hoje uma reserva de mercado para os homens. “Eu acho que [a regência] é um pensar masculino”, declara. O impulso para o seu “pensar” veio desde pequena – aos dois anos de idade já frequentava uma fábrica com o pai, “no meio da graxa”. Depois, se formou em Engenharia Mecânica. “Talvez falte às mulheres essa liberdade de penetrar no ambiente masculino com naturalidade”, conclui.

    “A partitura é somente uma guia. Você vai transformar aquilo numa concretude musical, que é etérea, mas é concreta. Você vai dar forma.”

    A partitura é um projeto de uma casa a ser construída. “O mais importante é o profundo conhecimento do texto musical”, diz. Ligia Amadio aponta qualidades necessárias ao maestro para vencer o “abismo imenso entre o texto e sua transformação em algo tangível”. O regente deve ter domínio do grupo artístico, além de vocabulário gestual e verbal que permita ritmo de trabalho. “O gesto é só um código e cada pessoa vai ter um próprio. Se ela se faz compreendida pelos músicos e faz grande música, isso é o que importa.”

    Ter chorado em emoção profunda num concerto no Theatro Municipal de São Paulo despertou em Ligia Amadio a vontade de fazer música profissionalmente. Hoje, acredita na sobrevivência das orquestras de música erudita, tal como elas são. E divide a vontade pela música com os instrumentistas da Sinfônica da Universidade de São Paulo, orquestra que rege desde 2009.


    “Eu não acredito em músico que não seja sensual”

    Ligia Amadio não acredita em música de qualidade sem “sensualidade gestual”. Maestro, spalla e orquestra são um único corpo que deve fruir música. É preciso sentir o corpo para sentir o ritmo. “Tem que dançar. Eu vivo falando para os meus músicos ‘vamos pra uma gafieira, vamos dançar samba’!”
     

    • Ligia Amadio, a mulher e a orquestra - Supertônica


    Dramática e tempestuosa Gubaidulina

    Completa esta edição gravada em junho de 2010, uma enquete junto à comunidade passionista de Pinheiros, São Paulo. As irmãs (entre 22 a 96 anos) receberam a equipe Supertônica no Convento da Rua Cônego Eugênio Leite. No repertório, a meditação sobre o Coral de Bach “Diante do trono eu me curvo”, peça de 1993 assinada por Sofia Gubaidulina, compositora russa radicada na Alemanha.

    Dura, fúnebre, séria, grave, dramática e tempestuosa – assim as irmãs passionistas receberam esta peça “matemática” para cravo e quinteto de cordas: “Música que pena no profundo da pessoa”.

    O clima da gravação, uma das mais interessantes enquetes do programa, pode ser acompanhado pela faixa bônus que acompanha este texto.
     

    • Piano no convento - Supertônica (Bônus)

     

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