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  • Cantor e compositor, Leo Cavalcanti lançou em 2011 seu primeiro álbum, Religar. Luiza Peixe / Divulgação

    Leo Cavalcanti: retrato do artista quando jovem

    Da redação | 26.05.2011

    - “Você está no caminho?”, indaga Arrigo.
    - “Espero que sim!”, responde o buscador.

    Consciente de integrar uma sociedade banal, ele busca uma consciência de si mesmo. Leo Cavalcanti é da era do sample. Filho de músico, amigo de músico, começou carreira ainda adolescente. Aos 19, travou contato com Yoga e transformou sua forma de encarar a humanidade. Sua vida mudou, sua música mudou. “Procurei Yoga para arrumar minha coluna”, lembra. “Fiquei interessado e comecei a fazer o curso de formação. Aí fui entrando em contato com Yoga enquanto filosofia, fonte de conhecimento. Isso alimentou muito a maneira de eu fazer músicas, os meus assuntos.” 

    “Cantar, estar no palco, tem sido cada vez mais revelador no sentido de se mostrar um desafio, uma tomada de força de eu estar em contato com o meu belo, me permitir ser belo de verdade. Isso é um canal para além de uma satisfação pessoal, de ego. É ser bonito e estar servindo. É uma coisa que não me pertence e eu sou o canal da beleza.” 

    No momento em que se buscam “caminhos originais” na efervescente cena paulistana, a preocupação com gênero não existe mais, segundo Leo. Mas atendendo à necessidade de rótulos, ele se classifica como “pop transcendental” (onde se conectam de Michael Jackson à Yoga). O fazer música é terapêutico: “Preciso disso para me nutrir”, resume. Sua forma de compor é solitária e está ligada às possibilidades de experimentação num estúdio digital caseiro. “Sou compositor bisexto, componho pouco” (ainda).

    Arrigo vê uma preocupação metafísica no trabalho de Leo. “Quando você percebe que está vivo, dá um pavor”, afirma o Crocodilo. “Uma angústia positiva, um deslumbramento pelo mistério, perceber que a gente sabe muito pouco a respeito do próprio caminho da humanidade”, diz Leo.

    “A gente está chegando num limite de espaço, limite de recursos, de sistemas, do capitalismo, da quantidade de gente que tem no mundo. Aí a gente está sendo obrigado a se reconhecer de uma maneira completamente diferente, a abandonar crenças e hábitos. Estamos todos muito ensimesmados, neuróticos e querendo sobreviver. Essa é a tônica.” 

    Neste programa gravado em abril de 2011, a conversa com Leo Cavalcanti (que havia lançado seu primeiro álbum Religar, acima) dialoga com uma peça de Maurice Ravel, apresentada numa escola de Yoga: “Ondine”, do “Gaspar de La Nuit”.
     

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    Supertônica
    Leo Cavalcanti: retrato do artista quando jovem

     

     

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