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  • Kiko Dinucci retratado por João Milet Meireles e uma de suas xilogravuras, "Oyá". Reprodução

    Kiko Dinucci: da macumba contemporânea

    Julio de Paula | 21.11.2011

    Ele venera as ruas da Barra Funda, território de sambistas. Carcamano crescido em Guarulhos, se emocionou ao pisar no Bixiga, reduto negro, também terra de sambistas da antiga. Kiko Dinucci representa a nova geração de compositores paulistas, que perambula entre o samba e a “macumba”. Estudou a obra de Adoniran e Vanzolini. Aprendeu a lição e passou a fazer uma espécie de crônica de nossos dias. “Minha macumba é urbana. Pode ser um defeito, mas é o que deixa o trabalho original”, diz.

    Autodidata, veio do punk. “Não comecei ouvindo Beatles.”Já tentou estudar violão, mas não progrediu. “Trouxe muita coisa do rock, de fazer riff, de tentar passar isso pra canção. Sempre transformar o violão em outra coisa, não assumir que é um violão. Tem momentos que parece que é um baixo”, conta. Gil e João Bosco são inspiração violonísticas. “Às vezes quando crio a canção, até penso numa harmonia convencional. Depois tento pensá-la como se fosse um groove ou um riff”, explica.

    “Candomblé e umbanda têm mais clientes que adeptos.” Kiko é iniciado num terreiro de candomblé tradicional no interior de São Paulo.

    A prática de ouvir sambas antigos, “de rádio”, como Donga e João da Baiana, o levou a perceber uma forte aproximação dessas músicas com a tradição dos terreiros. Antes, já acompanhava as danças negras de São Paulo, como jongo e congada. Foi além. Passou a visitar as festas em casas religiosas, escutando com atenção as batidas dos tambores e “tendo algumas ideias”. Da pesquisa de campo, acabou se iniciando num candomblé tradicional. Nada comum para um filho de família italiana de tradição católica com batistas do Paraná, sem históricos na “macumba”.

    Além da música, Kiko Dinucci tem passagens pelo cinema e pelas artes plásticas. “Gosto de desenho e de xilogravura, linguagens que eu mais uso”, esclarece. “Minha visão não é musical nunca. Sempre tem a coisa da imagem na cabeça. Às vezes não vai pra música, vai direto pra uma coisa visual.” Seu processo de criação parte sempre de uma imagem. “Fica perceptível isso na música também. Na música você ouve, e começa a ver os personagens. É isso: vem a imagem e eu começo a distribuir”, diz.
     

     

    • Kiko Dinucci, da macumba contemporânea - Supertônica

     

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    Supertônica
    Kiko Dinucci: da macumba contemporânea

    Apresentado originalmente na RCB em 18 de novembro de 2011
    Apresentação: Arrigo Barnabé
    Produção: Julio de Paula

    EXIBIÇÃO 18.11.2011, 19:00

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