Supertônica
Um programa sobre o gostoIdentidade e performance

Da velha caixa de sapato: Arrigo Barnabé, em criança, brincava com os antigos negativos de vidro da família, guardados em latinhas de bolacha. Cris Bierrenbach lembra do pai fotografando com uma Icoflex de negativos 6X6. “A primeira lembrança de fotografia que eu tenho é ele fotografando a gente com essa camerinha”, diz.
Conhecedora dos processos oitocentistas de impressão fotográfica, Cris gosta de inventar câmeras e testar os horizontes da fotografia: “Eu vi a possibilidade de imprimir fotografia em qualquer coisa, pelo menos de estudar as técnicas e tentar trabalhar com elas”.
Modelo de si
Cris Bierrenbach é artista plástica que trabalha com fotografia, vídeo, instalações e performance. Além do Brasil, teve trabalhos exibidos na França, Holanda, Japão, México, Alemanha, Estados Unidos, Bélgica e Cuba.
“O trabalho de arte não aparece pronto”, alerta a artista. “Ele vem de um dia-a-dia do pensar e do fazer.” A partir dos anos 2000, Cris incorpora o autorretrato na rotina de seus projetos, o que a leva à performance. Em “Identidade”, por exemplo, a transformação radical foi gravada em um plano-sequência. O vídeo em loop rompe com a ideia da projeção cinematográfica e aproxima-se da instalação.
Um de seus trabalhos mais contundentes é a série “Retrato íntimo” (2003). Cinco radiografias “reais” (usadas como negativo fotográfico, sem sobreposição) testam os limites do corpo da artista. “É um pouco a ideia da agressão. Mas não faz parte do meu pensamento passar pelo sofrimento”, revela.
“Sempre tive uma certa fascinação pela radiografia. É prima-irmã da fotografia”, diz. “Na verdade foi um pensamento do que são as práticas médicas, principalmente para a mulher, dos exames, do estar dentro do corpo, do conhecimento que a gente tem do corpo, quais são os limites, onde estão as coisas.”

Além de tratar dos bastidores das performances de Cris Bierrenbach, o programa, gravado em abril de 2011, apresenta o trabalho de outro artista controverso, o performer egípcio-grego-italiano Demetrio Stratos, que tem em sua vocalidade livre verdadeiro laboratório de experimentação. Em suas "Criptomelodias infantis" (1978), Stratos trabalha o canto pela inspiração, invertendo a técnica habitual do modo de cantar.
- Cris Bierrenbach: identidade da performance - Supertônica
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Supertônica
Identidade e performance
Apresentado originalmente na Rádio Cultura FM no dia 17 de abril de 2011
Apresentação: Arrigo Barnabé
Produção e edição: Julio de Paula
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