Supertônica
Um programa sobre o gosto
Frei Betto: profissão de fé e justiça
A sede que o ser humano tem de espiritualidade é inesgotável.
Lamentavelmente muitos não têm a indicação do caminho do poço.
Frade dominicano e escritor, Frei Betto é um religioso acima de qualquer suspeita. Intelectual que prega a lição do amor e articula junto aos movimentos populares e sociais, participou da fundação da Central Única de Trabalhadores, foi consultor do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e foi assessor especial da presidência da República. Mineiro de Belo Horizonte, estudou jornalismo, antropologia, filosofia e teologia. Dono de um Jabuti por seu “Batismo de sangue”, tem mais de 50 títulos editados, incluindo obras de referência.
Frei Betto é um dos principais articuladores da teologia da libertação no Brasil e na América Latina, movimento que defende o cristianismo comprometido com uma proposta de transformação social. “Continuo achando que a humanidade não tem saída para sua emancipação fora de uma sociedade de partilha dos bens, que eu continuo chamando de socialismo”, esclarece. “Somos quase 7 bilhões de habitantes no planeta, dos quais, segundo a ONU, 4 bilhões vivem abaixo da linha da pobreza. Nós produzimos no planeta alimentos para 12 bilhões de bocas. Então, o problema não é falta de alimento nem falta de riqueza. É falta de justiça. Nós só construiremos uma sociedade de paz na medida em que houver justiça – esta é uma frase do profeta Isaías que, 700 anos antes de Cristo, dizia que a paz virá como fruto da justiça.”
Para ele, a igreja católica deve modernizar sua estrutura pré-moderna e “rural” em tempos de internet. Acabar com o celibato obrigatório para os padres diocesanos e ordenar mulheres sacerdotes seriam dois passos para atualizar a instituição. Enquanto a igreja está preocupada em arrebanhar fiéis, Frei Betto enfatiza a necessidade da igreja pregar a experiência da espiritualidade – “da comunhão com o próximo, com a natureza e com Deus”.
Frei Betto, que “reescreveu” os Evangelhos em forma de romance narrando a vida de Jesus, fala da revolução cultural que Cristo introduziu na sociedade: “Para Jesus, todo ser humano é dotado de uma radical sacralidade”, diz. “Não se justifica a igreja posterior a Jesus (e ela nasce com Jesus) ter sido uma igreja que tenha usado a escravidão, que tenha exterminado índios, que tenha feito as cruzadas. Para mim não tem desculpa, porque o olhar de Jesus para as pessoas, indistintamente, era de que cada um é templo vivo de Deus.”
Neste papo regado a Bach, Frei Betto e Arrigo Barnabé tratam de discutir outros temas essenciais, como a sociedade de consumo, a experiência mística e os negros tempos da ditadura militar. De fato um programa acima de qualquer suspeita.
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comentários
Mírian Macedo
Considerar Frei Betto um religioso acima de qualquer suspeita é ignorância ou má-fé. Ele, do ponto de vista da Igreja Católica, é um herege e excomungado, que aprova aborto e homossexualismo e declara-se socialista, ideologia incompatível com os ensinamentos do cristianismo. Além disto, é cúmplice de assassinos como Fidel Castro e Carlos Marighela. O Manual de guerrilheiro que Marighela escreveu orienta o militante a praticar o terror como arma revolucionária, admitindo até mesmo a colocação de bombas em hospitais. A ALN, organização fundada por Marighela, era o ninho de cobras onde os dominicanos (Betto pertenceu à ordem) se instalaram para ajudar a implantar uma ditadura comunista no Brasil.Ouvir esta lorota de fé e justiça saindo da boca deste escroque não vale nem como piada. Admira que um artista talentoso como Arrigo Barnabé se preste a incensar um vigarista da laia de Frei Betto. 'Ta dominado, 'tá tudo dominado. A esquerdopatia dominou a cultura brasileira.
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Leonardo
Fico sempre bastante triste ao ver comentários como o da Mirian Macedo (que, diga-se de passagem, não são incomuns na internet). O teor agressivo e pouco reflexivo de suas palavras nos distancia de uma racionalidade mais equilibrada ou de uma sensação em sintonia com algum ritmo e/ou harmonia. Esquerda, direita, socialismo, capitalismo, igreja, escroque, vigarista, homossexualismo, herege, ignorância, má-fé, fé, cristianismo... Palavras. Lembro-me de Wittgenstein: “Sobre aquilo que não se pode falar, deve-se calar”. Outra memória remete-me ao livro "Educação pela arte", do inglês Herbert Read. Ali ele nos fala de uma "universal evidence of insensibility". Uma insensibilidade que é como uma doença, “literalmente uma esclerose - de origem endócrina”, que toma “conta do físico de milhões de nossos irmãos”. Uma insensibilidade para a beleza e a verdade de “incidência arbitrária”, que “não constitui uma distinção de classe e, muito menos, de nacionalidade ou raça”, sendo “encontrada nos escritórios e faculdades, (...) nas favelas e vagões de trem”. Quero crer que novas consciências virão. O mundo precisa.