Supertônica
Um programa sobre o gosto
Dimos Goudaroulis: o ofício do intérprete
Ele vem da cidade de Alexandre, o Grande. É herdeiro dos complexos ritmos do norte da Grécia. Aos 10 anos de idade, começa a estudar violoncelo, seu primeiro e único instrumento. Adolescente, ouve jazz sozinho em casa - “delirando com Charles Mingus”. Dimos Goudaroulis completa seus estudos superiores na Ecole Normale de Paris. Mas logo deixa a música clássica pelo jazz. Aos 18 anos, viaja a França acompanhando um importante grupo de música improvisada. Dividiu o palco com nomes do calibre de Walter Bishop Jr, Jackie MacLean e Max Roach, entre outros.
“A Grécia musicalmente, culturalmente, é muito mais oriental do que ocidental. A gente tem muita influência da música árabe, turca, indiana. Com isso tentava improvisar um pouquinho. Foi talvez um mini-começo com a música improvisada.”
Como violoncelista de jazz conhece o Rio de Janeiro e imediatamente se apaixona pelo Brasil. Adota São Paulo e se reintegra à música clássica, especializando-se (como autodidata) na música antiga. Avesso à escola romântica de interpretação, gravou as suítes de Bach e abraçou o barroco numa grande pesquisa a respeito de um instrumento “perdido”, encontrado numa lutheria, o violoncelo piccolo.
Seu repertório é extenso. Onde caminha lado a lado o jazz, a música de concerto e a música antiga. Sem falar na música popular brasileira (tocou na Orquestra Popular de Câmara, de Benjamim Taubkin, fez trio com Zeca Assumpção e Carioca, participou de álbuns de cantores tão distintos quanto Gilberto Gil e Milton Nascimento, Mônica Salmaso, Ceumar, Ná Ozzetti, Badi Assad e Rodrigo Campos).
- Visões - Ceumar e Dante Ozzetti
- Estopim - Ná Ozzetti
- Baião - Carioca
“Sou um intérprete de hoje. Um compositor me chama pra tocar a música dele, eu vou tocar. Vou colocar a minha capacidade ao serviço do cara porque ele tem que ser tocado.”
Ainda na Grécia, a Investigação sobre o Gosto apresenta ao público do auditório Cláudio Santoro, em Campos do Jordão (SP), uma peça de Iannis Xenakis – "Khotos", para cello solista.
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