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  • Maestro Cyro Pereira (1929-2011) durante o Festival de Inverno de Campos de Jordão. Divulgação

    Cyro Pereira, o maestro do último porto do Brasil

    Da redação | 10.06.2011

    - E o iê-iê-iê brasileiro, maestro?
    - Aí começou a derrocada geral...

    “Eu sou um cara que respeito todas as coisas. Mas acho que a partir dos Beatles, a música começou a cair, cair, cair. Eu nunca engoli aquele conjunto. Nada. É música com dois, três acordes. (...) E não sai disso, ficou até hoje. Hoje os caras cantam um samba que não é samba, é rock!” 

    Em criança, interessou-se pela música: “Vivia ouvindo rádio e ouvindo música”, lembra Cyro Pereira. Na década de 1940, aprendeu piano com os padres salesianos. Tocava tango com os colegas da escola. Entre as primeiros conjuntos que integrou estava aquele de sugestivo nome “Nunes e Seus Rapazes”. Veio de navio para São Paulo. No dia de sua chegada, o acaso o levou a arranjar uma vaga como instrumentista da boate Excelsior. Aos 23 anos, passou a reger orquestra.

    Cyro Pereira aprendeu os meandros da orquestração e das formas musicais com o maestro Grabriel Migliori, estudando e convivendo por duas décadas nos estúdios da Rádio Record. “Gosto mesmo de música popular. Mas quis provar pra mim mesmo que eu também saberia fazer música erudita. Escrevi uma sonata para violino, um quarteto de cordas e uma fantasia para piano e orquestra”, revela.

    Nos anos 1960, lançou o "Jequibau", com Mário Albanese. Com os direitos autorais, conseguiu comprar um Fusca. “O Jequibau nasceu de uma brincadeira”, lembra-se.

    “Todos nós, inclusive eu e o Jobim e toda aquela turma, sofremos influência da música americana. Não que nós tivéssemos copiado, mas a nova forma da coisa, a própria letra foi uma coisa que evoluiu muito. Ao contrário do que se fazia na década de 40, que eram coisas bonitas, extraordinárias, que tinham muito a ver com modinha.”

    Filho de italiana com português, Cyro Pereira é natural de Rio Grande, cidade no extremo sul do Rio Grande do Sul, próximo ao Uruguai, “o último porto do Brasil”. Concedeu entrevista ao programa Supertônica em abril de 2007.
     

    • Cyro Pereira, o maestro do último porto do Brasil - Supertônica


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    Supertônica
    Cyro Pereira, o maestro do último porto do Brasil

    Gravado em abril de 2007
    Reapresentado na RCB no dia 10 de junho de 2011
    Apresentação: Arrigo Barnabé
    Produção e edição: Julio de Paula 

     

     

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