Supertônica
Um programa sobre o gosto
Chega de saudade, por Tom Zé
Quando acabou de tocar essa música,
a gente olhava de um lado para o outro
pra ver se a Terra ainda existia. Tom Zé
ZYD-8 Rádio Excelsior da Bahia, cerca de 14h de uma tarde de 1958. Tom Zé e amigos escutam “uma coisa que ninguém podia nunca sonhar que aquilo existisse”: a voz de João Gilberto interpreta a mais emblemática das canções da bossa nova, "Chega de saudade". “Quem estava vivo, na vigência do samba-canção, na vigência samba-enredo, eles como donos da praça, concorrendo com o bolero e com a grande produção da música mexicana (que invadiu essas fronteiras como se aqui não tivesse fronteiras) e de repente toca 'Chega de saudade'!”, lembra.
Primeiro álbum de João Gilberto, Chega de saudade sai em LP pela Odeon, em 1959. Neste clássico dos clássicos, o “gênio exigente” de João reinventaria a maneira de cantar. Ao lado do violão do baiano, Tom Jobim aparece ao piano, Copinha à flauta, Milton Banana à bateria, Guarani à percussão, e Edmundo Maciel, ao trombone. Coro dos Garotos da Lua e Orquestra sob a direção de Tom.
Lado A
Chega de saudade
Lobo bobo
Brigas nunca mais
Ho-ba-la-la
Saudade fez um samba
Maria ninguém
Lado B
Desafinado
Rosa morena
Morena boca de ouro
Bim bom
Aos pés da cruz
É luxo só
Com a bossa nova, o Brasil passou a exportar arte, “o grau mais alto da aptidão humana”, diz Tom Zé: “Arte é atividade de povos altamente sofisticados”. Arrigo completa: “Nós temos uma vocação pra invenção”.
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Egeu Laus
O técnico de som de Chega de Saudade foi o lendário Zoltan J. Merky