Supertônica
Um programa sobre o gosto
Caipira-vanguardista de voz teatral
As reuniões familiares cantantes foram fundamentais para Suzana Salles. Em casa, tocou muita música caipira fazendo duetos com a irmã. Mais tarde, o repertório acabou virando CD.
Começou a cantar no Comunicantus, coral da ECA/USP, ao lado de Vânia Bastos e Hermelino Neder. “O que eu mais gostava de fazer na faculdade de Jornalismo era cantar. Toda quinta-feira à noite eu faltava na aula e ia cantar. Não sei como eu não percebi que seria cantora, demorei mesmo pra perceber”, lembra.
Integrou a Vanguarda dos anos 1980. Cantou “Diversões eletrônicas” com a banda de Arrigo no Festival da TV Cultura, 1979. Foi casada com um alemão, aprendeu o idioma e estreou carreira-solo em Berlim interpretando Kurt Weill.
Suzana Salles é apaixonada por Beatles. Sonhava em encontrá-los nas ruas de Londres. Lá, formou repertório em espaços de música contemporânea. Assistiu concertos de Berio e Boulez, além de grupos de música indiana. Hoje ouve música clássica e CDs de amigos. “Nunca deixo de ouvir Jobim, Chico Buarque e Caetano. Matita perê é meu CD de cabeceira”.
“Você tem um lado cênico-performático. Sua voz é diferente, denota um aspecto teatral na sua interpretação”, define Arrigo.
Este papo-entrevista entre amigos (gravado em 2005) é entremeado com a música dos pigmeus da Floresta Ituri, África Central. Numa loja de sapatos (Suzana Salles é amante de sapatos), as pessoas acharam a gravação de campo “bem diferente” e a associaram aos índios do Brasil. “Não é um som que eu compraria”, disse uma senhora.
[ ] Programa apresentado no dia 1º de janeiro de 2010.
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