Supertônica
Um programa sobre o gosto
Agnaldo Farias: há sempre um copo de mar para um homem navegar
Ele gosta da cor vermelha e é fã do mangusto. Nasceu em Itajubá (MG), em 1955. Agnaldo Farias é crítico de arte, curador independente, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo.
Numa época em que jovens (ou inquietos) artistas apresentam novas proposições, em que se inclui autoria coletiva e cultura de massa, Supertônica traz uma conversa esclarecedora para se compreender os caminhos da arte contemporânea. Edição transmitida originalmente em 2004.
“Não dá pra ficar cobrando de uma obra que está sendo realizada neste momento aspectos contemplados pela arte de um Manet. É ficar batendo na porta e procurando alguém que não está lá dentro. Cada trabalho de arte impõe seus próprios critérios, apresenta seus parâmetros. Você tem que estar atento a isto”, alerta o professor de História da Arte.
O estranho, o inefável, o encantatório e o não-compreensível, além da inteligência estética, são elementos que caracterizam um trabalho de arte – operacional disponível não apenas para aqueles que frequentaram a academia. Farias aponta Cartola e Bispo do Rosário como dois exemplos de artistas que pertencem a segmentos sociais desfavorecidos e que não tiveram uma formação em arte. O que não impediu sua capacidade de realizar um trabalho potente.

Cão cego, de Tatiana Blass, artista selecionada para a 29ª Bienal de São Paulo
“Não se pode recusar as novas linguagens”
Agnaldo Farias assina as co-curadorias das Bienais de São Paulo (2010, 1996, 1992). Entre outras, foi curador-chefe do MAM/RJ (1998/2000) e diretor de exposições temporárias do MAC/USP (1990/1993). É consultor de curadoria do Instituto Tomie Ohtake.
“O trabalho que incomoda, que funciona como uma pedra no meio do caminho, o trabalho que, como diria o João Cabral, obstrui a leitura fluviante e flutual, esse é o trabalho de arte”.
Arrigo faz a derradeira pergunta: "O que caracteriza as novas proposições como arte? O que é arte?".
Agnaldo: "É uma pergunta que você irá se deter ao longo de todo o tempo que existir o seu programa".
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