Lançado em DVD “O Fim dos Tempos”, último filme de Night Shyamalan, o super bem pago diretor de “O Sexto Sentido”. Apenas para escrever o roteiro de “Sinais”, ele ganhou 5 milhões de dólares. Não fosse pelo porte da produção, porém, o filme tem a estatura de um episódio de “Além da Imaginação”, aquela clássica série televisiva dos anos 60 que se especializou num horror soft, a meio caminho entre a ficção científica e a pregação moral. O roteiro se resume a 24 horas de um casal nova-iorquino fugindo do que se acredita ser um ataque terrorista, por meio de um gás tóxico que induz as pessoas ao suicídio. Eles levam consigo a filha pequena de um amigo, só porque a interação entre adultos e crianças tornou-se uma marca de seus filmes. Assim como uma impostação quase mística, que leva alguns personagens a pronunciarem grandes verdades, sempre como se fossem a expressão dos desígnios divinos. Neste “O Fim dos Tempos”, temos a constatação, relativamente óbvia, de que “nem sempre os eventos da natureza podem ser compreendidos pelos humanos”. A referência é feita à emissão mortal dos tais gases tóxicos que, no decorrer do evento, se descobre ter origem nas árvores, que decidem atacar a espécie humana. Uma idéia já explorada num livro de Richard Matheson, aliás, um dos redatores de “Além da Imaginação”. O mais curioso é a semelhança da estrutura com a de “Ensaio sobre a Cegueira” de Fernando Meirelles.
LUCIANO RAMOS
EXIBIÇÃO
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