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  • O dragão da maldade contra o santo guerreiro

    Publicado por FelipeMissali | 02.06.2008

    Relançado com cópia restaurada O dragão da maldade contra o santo guerreiro, queGlauber Rocha fez em 1969, retomando Antonio das Mortes – o matador de cangaceiros interpretado por Maurício do Valle em Deus e o Diabo na Terra do Sol, de 1964. Esse personagem simboliza a ação armada e faz aqui uma espécie de autocrítica, tomando decisões surpreendentes. É contratado para exterminar um bando de cangaceiros, mas descobre um idealista no meio dos criminosos e, então, revê os seus conceitos. O filme reflete a assinatura do AI 5, em 68, que procurava legitimar a ditadura militar. Talvez por isso, os personagens pareçam figuras desvairadas, gritando sem parar e rodando em círculos em torno do vazio. Por outro lado, o Dragão corresponde àquela guinada que todo o cinema novo promoveu a partir de 69, procurando se aproximar do grande público, por meio de filmes mais ligados à cultura popular. Destaque para as figuras de Odete Lara no elenco e de Maria Betania na trilha sonora. Nos figurinos e na mise en scène percebe-se a influência dos programas do Chacrinha, que era o maior sucesso da TV na época. Glauber ganhou o prêmio de melhor diretor em Cannes, porque de fato demonstrou grande habilidade, filmando em som direto, numa técnica ainda pouco usual. Em O dragão da maldade o cineasta pratica uma espécie de estilização do seu próprio cinema, transfigurando, de maneira alegórica, personagens que ele mesmo tinha criado cinco anos antes.

                                                       LUCIANO RAMOS

    EXIBIÇÃO | PRODUÇÃO

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