• Controle Remoto - Ouça Ao Vivo

  • Virada Cultural aumenta ou diminui a política de cultura paulistana?

    Publicado por jura | 27.04.2008

    7
    O que a Virada significa a mais ou a menos para a cultura? Pela primeira vez fui à Virada. Relutei muito em participar dela, até hoje, porque estranho a proposta de concentrar os parcos investimentos públicos da cultura em uma única ocasião. Resolvi, dessa vez, circular pelo Centro, neste domingo, e sentir a Virada. Que Virada é essa? Afora as inúmeras pessoas trêbadas, as toneladas de lixo e os típicos cheiros de xixi pelas ruelas - isto último que não é diferente de eventos como os jogos de futebol, a Parada do Orgulho GLBTS etc. -, conferi que a Virada parece mesmo um evento muito bem organizado; por exemplo, desde a variedade de atrações até o cuidado com a circulação excepcional do trânsito de quem não quer "viradar", mas precisa passar pelo Centro, a pé, de ônibus ou de carro. Essa minha impressão sobre a Virada só reforçou a dúvida crucial que já tinha sobre o evento, a saber: será que temos uma grande Virada porque temos menos outros eventos congêneres da Prefeitura? Por um lado, pode ser que tenhamos uma ocasião para promover, pela cultura, o laço do cidadão com a cidade? Um evento que consegue juntar recursos, pessoas e instituições públicas e privados para realizar um desejo comum de melhorar a vida na cidade. A Virada Cultural significaria um "a mais" para melhorar a vida na cidade. Ou, pode ser que a Virada é um jeito de maximizar o resultado do investimento público em prol de uma visibilidade maior da então gestão. Concentrar tudo que pode em um único dia acaba causando a redução do empenho no resto do ano, quando as atividades culturais de maior envergadura, por isso, ficam sem grana para serem realizadas. Então, nesse segundo caso do que significaria a Virada, teríamos é atividades culturais "a menos" promovidas pela Prefeitura. É impressão só minha ou diminuiu muito o número de apresentações maiores financiadas pela Prefeitura de São Paulo, ao longo do ano, como nos parques e nos bairros, principalmente das periferias por aí etc.? Por falar nisso, nem discuto, ainda, a quase ausência de atividades tão bem feitas assim na periferia. As atividades dos CEUs costumam ser muito bem feitas, mas ainda não cobrem toda a cidade. Será que há algum debate ou alguma referência sobre essa atual política cultural paulistana? Enfim, não só devo felicitar a organização da Virada pela competência dela, mas gostaria também de pensá-la como integrante, talvez privilegiada, da política pública de cultura da cidade de São Paulo. E aí, vamos debater?
    EXIBIÇÃO | PRODUÇÃO

    compartilhe

    comente

    É preciso estar logado para comentar. Fazer Login | Não tenho login

    comentários

    jura
    jura

    Ainda bem, não sou o único encucado com os rumos, viradas, reviradas e reviravoltas da gestão de política cultural da cidade de São Paulo. O pessoal do Movimento Nossa São Paulo também está pensando nisso. E pelo jeito é bastante gente... Bom, há um texto do movimento, cujo endereço é http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/636, que conta como foi o debate a respeito lá fórum que rolou na semana passada, de 15 a 18 de maio.