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Francis Hime: 'Meu caro amigo' nasceu por acaso!
21.01.2011
Maestro, arranjador, compositor, cantor e pianista, Francis Hime completou 70 anos em agosto de 2009 e, para comemorar, lançou um CD duplo, O tempo das palavras... Imagem. O primeiro disco é dividido entre inéditas e diversas parcerias, e o segundo traz versões para piano solo de trilhas sonoras de filmes que compôs durante a carreira.
Nascido em agosto de 1939 no Rio de Janeiro, Francis Hime começou a estudar piano clássico na infância no Conservatório Brasileiro de Música.
Em 1963 iniciou a parceria com Vinicius de Moraes, e a partir daí não parou mais. Neste CD, em uma das faixas homenageia Baden e Vinicius: “O Vinicius foi meu primeiro parceiro; a primeira música, de 1963, foi 'Sem mais adeus'. Baden não chegou a ser meu parceiro, mas sempre fui seu fã; adorava tudo o que ele fazia. Ouvia algumas músicas que ele tinha acabado de fazer, como 'Canto de Ossanha', eu me lembro que ele me mostrou ao violão. E este samba 'Pra Baden e Vinicius' foi inspirado nos afrosambas. Neste caso, dei uma ideia pro Paulo Cesar Pinheiro, falando que (a música) se chamava 'Pra Baden e Vinicius'. Ele fez a letra seguindo esta ideia”.
- Vinicius de Moraes, parceiro
Nos anos 1960, suas composições ganharam destaque nas vozes de artistas e grupos consagrados, como Elis Regina (“Por um amor maior”), Vinicius de Moraes (“Samba de Maria”) e MPB-4 (“Anunciação”).
Na década seguinte, firmou parceria com Chico Buarque, fato que o tornou ainda mais conhecido. “Minha parceria com Chico foi um casamento de música e letra. A gente tinha uma sintonia que nem sempre se encontra. Com o Chico, eu sempre fiz a música antes. 'Meu caro amigo' foi um acaso. Eu estava na casa dele, e ele estava tentando colocar uma letra em uma canção romântica muito rebuscada. E as ideias não vinham. Aí ele me perguntou se eu tinha um choro para que a gente pudesse espairecer um pouquinho. Eu tinha vários por causa de um filme que estava fazendo a trilha. Então mostrei para o Chico. Ele tentou e saiu na hora a letra de 'Meu caro amigo'. A outra canção ficou pra lá.”
- Francis Hime fala da parceria com Chico Buarque
Outros clássicos da MPB são originários desta fase: “Trocando em miúdos”, “Passaredo”, “Quadrilha”, “Atrás da porta” (história da composição também contada nesta entrevista), “Pivete” e “Vai passar”, sua última parceria com o famoso compositor tricolor.
Francis também atuou na música erudita, escrevendo peças sinfônica e de câmara. É autor de “Sinfonia nº 1”, executada e regida pelo próprio Francis em 1993 na sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro. Escreveu “Carnavais para coro misto e orquestra”, “Fantasia para piano e orquestra” e "Sinfonia do Rio de Janeiro de São Sebastião".
Francis também é autor de trilhas sonoras para inúmeros filmes, como Dona Flor e seus dois maridos, de Bruno Barreto, e A noiva da cidade, de Alex Vianny, e muitos outros que ganharam novos arranjos para piano solo neste CD O tempo das palavras... Imagem. “Esta ideia surgiu de um papo com o (jornalista) Tárik de Souza, que vai ser curador de uma caixa que estamos projetando na Biscoito Fino. Ele achou interessante ter um CD com minhas trilhas. Então, veio esta ideia de reorquestrar algumas trilhas que fiz pra piano solo.”
- Francis Hime - RadarCultura (íntegra)
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Terráquiano
Muito simpático , muito talentoso e entre tantos acasos a música foi ensinada para a pessoa certa.