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  • Tango com jazz e bossa nova. Essa é a alma do gatoNegro, grupo formado por Ramiro Murillo (e.), Natalia Mallo, Rui Barossi, Cintia Zanco e Marisa Silveira. Reprodução

    Tradição, dor e perda, mas com leveza

    Alceu Maynard | 11.05.2010

    Natalia Mallo (voz), Ramiro Murillo (violão e arranjos), Cintia Zanco (violino), Marisa Silveira (violoncelo) e Rui Barossi (contrabaixo) formam o gatoNegro, um grupo que apresenta versões contemporâneas de clássicos do tango, como também composições autorais.

    “A nossa abordagem não é uma renovação de uma mudança de linguagem de fazê-lo eletrônico, é mais sutil; é uma influência de arranjadores, de Tom Jobim, de Baden Powel, de coisas que estão em nossa bagagem e uma pesquisa de interpretação um pouco mais leve do que o tango tradicional. Em nosso disco você vai reconhecer elementos mais primordiais do tango, a dinâmica, essa pegada, está tudo lá... É tudo tradição, dor, perda, mas também tem momentos de leveza nas letras”.

    Preocupado com a estética vocal e pesquisa instrumental do estilo, o gatoNegro surpreende por não contar com o tão conhecido som do bandoneón em suas apresentações e no CD Tango.

    “A gente conhece o tango mais profundamente, então transcende esse clichê de que tem que ter bandoneón. O bandoneón é um instrumento muito importante para o tango, mas existem muitas formações sem bandoneón e a gente tem a mesma força emotiva do que se tivesse (um bandoneón)... A gente chegou a tentar, mas é muito difícil encontrar um bandonionista. O fato de não ter bandoneón nos ajudou a ter uma sonoridade própria, mais contemporânea, um pouco diferente. Então, foi positivo até.”

    Natalia Mallo, ao lado de Ramiro Murillo, apresentou o "Tango", de Ryuichi Sakamoto e Raúl Carnota, e uma música inédita ("Naranjo en flor"), que fará parte do próximo CD do gatoNegro.

    Durante a entrevista, eles falaram sobre o estilo mais eletrônico do tango que artistas como Gotan Project representam. “Sempre tem os puristas que rejeitam. Eu acho que o tango é uma instituição. É como mexer com o samba. Quando surgiu aqui o drum'n'bass, o drum-bossa, também teve gente que achou o fim da picada. Eu sou aberta, tudo é válido, tudo pode ser feito com qualidade e não é aquilo que eu não gosto que preciso criticar, destruir. Enfim, não consumo muito, não ouço, mas sei que tem muita gente talentosa envolvida”, defendeu Mallo que, além de produtora, cozinheira e compositora, trilha carreira individual e com os grupos Trash Pour 4 e Sinamantes.

    EXIBIÇÃO 08.02.2010, 16:00

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