O inclassificável Arnaldo Antunes
O cantor e compositor Arnaldo Antunes esteve no RadarCultura no dia 28 de setembro, uma segunda-feira chuvosa, para falar sobre 10º disco, Iê Iê Iê, álbum que dialoga com signos, ritmos e timbres do rótulo criado para designar a música pop produzida na primeira metade do anos 1960.
“Rock and roll não tem idade. A gente pode fazer rock and roll com qualquer idade. (...) O rock já existe há mais de 50 anos; já tem uma idade considerável, e não é porque o tempo passa que você tem que, necessariamente, substituir seu gosto musical. Dá pra conviverem as duas coisas”, afirmou Arnaldo ao ser questionado por um internauta sobre a maturidade do estilo.
O músico paulistano por muitas vezes foi considerado um “artista para poucos” por flertar com experimentações concretistas, mesmo após ter lançado outros álbuns com repertório pop.
“Eu nunca deixei de fazer parte da musica popular. Os meus trabalhos de carreira-solo sempre tiveram uma intenção pop. O que eu acho que aconteceu é que, quando lancei o disco Nome logo após a minha saída dos Titãs, eu estava querendo marcar uma diferença. É um disco mais experimental porque é lincado com um vídeo de animação. Era um momento em que estava querendo juntar as minhas preocupações da poesia com as coisas que eu compunha e que não cabiam nos Titãs. O Nome foi um processo traumático porque é como se eu tivesse saído do universo pop para fazer um disco experimental, e muita gente não entendeu isso. Então, a cada novo álbum falavam que eu estava ficando mais pop. Quem faz musica popular trabalha pra ser ouvido por milhares de pessoas, pra tocar no rádio e para as músicas serem cantadas em shows.”
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