Lira, 30 anos
No dia 25 de outubro de 1979, um pequeno porão na Praça Benedito Calixto, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, abrigou a efervescência da juventude. Era o Lira Pauslitana!
Em 1979, Wilson Souto Jr., o Gordo , engenheiro que havia virado percussionista , trabalhava no espetáculo teatral Gota d´água, de Chico Buarque e Paulo Pontes. O convívio com atores, músicos, iluminadores e produtores empolgavam o rapaz.
“Há algum tempo, Gordo pensava em abrir um espaço onde poderia abrigar as diversas manifestações artísticas da cidade. Dois anos depois, em 1979, a oportunidade surgiu quando seu amigo Waldir Galiano foi demitido do emprego na indústria de papel Suzano. Em uma conversa de bar, os dois decidiram montar um negócio", diz a monografia Teodoro, 1.091 - A história do Lira Paulistana.
"A ideia inicial era alugar um terreno baldio que pudesse servir de estacionamento durante o dia, e assim garantir o pagamento das despesas de um centro cultural que funcionaria à noite. Porém, ao ler um anúncio em classificados de jornal, Gordo se interessou por um depósito de móveis na rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros. A via, que começa na Avenida Doutor Arnaldo e termina no Largo de Pinheiros, não tão deteriorada quanto atualmente, já era um importante centro comercial. Era um porão no número 1.091, que ficava sob uma loja de móveis.”
Em aproximadamente quatro meses estava pronto o Lira Paulistana. O nome foi dado por um dos entusiastas da ideia, Mário Mazetti, diretor do musical É fogo paulista, outra obra escrita a várias mãos, entre elas as dos músicos Jean e Paulo Garfunkel. A estréia do espetáculo também marcou a abertura oficial da casa, no dia 25 de outubro. A partir daí, viria o grito dos independentes. Estudantes universitários e novos artistas se encontravam nesse pequeno espaço que reunia teatro, música e outras artes.
O Lira Paulistana, além de levar ao seu palco artistas da cena alternativa, tornou-se também um dos primeiros selos de música independente do país, lançando discos de nomes da música, como Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé, Vânia Bastos, Tetê Espíndola, Ná Ozzetti, Premeditando o Breque, Rumo e Língua de Trapo.
“O Lira captou uma movimentação do seu tempo”, diz, na entrevista para o documentário Lira Paulistana, Wandi, do Premê. “Com o Lira, a gente nem ligava se existia ou não uma Secretaria de Cultura”, emenda o maestro Nelson Ayres.
Nesta próxima sexta (30/10), o programa RadarCultura lembrou os 30 anos do Lira ao promover um bate-papo no estúdio da Rádio Cultura Brasil com nomes que fizeram parte dessa importante cena: Wilson Souto Jr. e Chico Pardal (diretores e sócios do teatro), Mário Manga (integrante do grupo Premeditando o Breque) e Luíza Alcântara e Silva (jornalista da Folha de S. Paulo e uma das autoras da monografia Teodoro, 1091 - A história do teatro Lira Paulistana.
Assista
:: Itamar Assumpção canta e fala de São Paulo Midnight
:: Entrevista de Wilson Souto Jr. ao programa Câmera Aberta (1985)
:: As dependências do virtual Lira Paulistana
Ouça
:: Arrigo Barbané bate papo com Wilson Souto Jr. (Programa Supertônica)
:: Depoimentos de artistas que passaram pelo teatro
:: Bate-papo com Chico Pardal, Wilson Souto Jr., Mário Manga e Luíza Alcântara
:: Do vinil ao porão, playlist sobre a primeira fase do Lira Paulistana
Leia
:: Trechos da monografia Teodoro, 1091 – A história do teatro Lira Paulistana
:: Discografia do selo Lira Paulistana
Visite
:: blog do documentário Lira Paulistana
comente
- play
- pause
- stop
- min volume
- max volume
- previous
- next