Kleiton e Kledir: gaúchos onde quer que estejam
Passados mais de 30 anos desde o primeiro álbum, os irmãos Kleiton e Kledir mostram que ainda são uma das parcerias mais profícuas da música brasileira. Nos últimos dois anos evitam o caminho fácil da regravação e lançam um CD e DVD com 13 músicas inéditas e um álbum infantil, “Par ou ímpar”: “Eu e o Kleiton produzimos muito, sempre fazendo muita música. Este 'Auto-retrato' é radicalmente um disco só de inéditas, assim como este novo infantil é um radicalmente um disco infantil (com) inéditas para crianças”, conta Kledir.
A faixa-título, "Auto-retrato", é um hino ao relacionamento, à intimidade e à amizade dos irmãos Ramil. Ela cita, cronologicamente, histórias, preferências e segredos de cada um. Como uma conversa entre amigos, fala do nascimento aos questionamentos e problemas da vida adulta.
Já nasci estressado
Com 2 kg e 100
E eu, careca e pelado
Meio magro também
Ando meio caído
Pra lá de Bagdá
Uma certa barriga
É, já deu pra notar
Vou fazer um check up
Já parei de fumar
Antes que dê um ataque
Vou pra um SPA
A dupla, que já compôs diversas músicas românticas e outras dedicadas às mulheres, nota que nunca havia dado um nome feminino ao título de uma canção. Aí os irmãos escolhem homenagear logo a primeira delas, “Eva”: “Era mais prático. Tinha tanta namorada, né, Kledir, que era mais fácil não por o nome de ninguém“, brinca Kleiton.
Não se prendem a uma regra na divisão de trabalho de seus processos criativos, afinal, ambos estudaram composição e regência, tendo Kleiton ministrado aulas na Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Porém, predominantemente, Kleiton faz música e Kledir a letra: “A capacidade que o Kleiton tem chegar e criar uma sequência harmônica, uma melodia, é tão incrível que eu acabei me acomodando com a letra”, conta o irmão mais novo.
Em 1975, com mais três amigos, formam os “Almôndegas”, banda que é um marco na história da música popular do Rio Grande. Gravam quatro discos, fazem diversos shows e se mudam para o Rio de Janeiro: “O duo formou-se por acaso, aqui em São Paulo. A gente veio participar de um festival da Rede Tupi quando o Almôndegas acabou. A gente cantou a 'Maria Fumaça'. Ali (nasceu) o formato dupla. Nós dois cantávamos e tinham vários amigos e músicos que tocavam conosco. A gente nunca tinha pensado em formar uma dupla”, lembra Kleiton.
A partir de então, dos anos 1980, iniciam uma extensa discografia, que inclui gravações em espanhol e rendem disco de ouro e shows pelos Estados Unidos, Europa e América Latina. Com composições gravadas por Simone, Nara Leão, MPB-4, Caetano Veloso, Zizi Possi, Ivan Lins, Belchior e Emílio Santiago, Kleiton & Kledir apresentam a nova música gaúcha. Eternizam um sotaque diferente, uma maneira de falar e cantar, com termos até então desconhecidos como “Deu pra ti” e “Tri legal”. Acabam se transformando em símbolos do gaúcho contemporâneo, que fez com que o governo do Estado lhes conferisse o título de “Embaixadores culturais do Rio Grande do Sul”. Mesmo morando há muitos anos no Rio de Janeiro, eles contam ao RadarCultura que ainda carregam o rótulo de “artistas gaúchos”. “Temos muito orgulho de sermos sempre considerados uma dupla gaúcha. Moramos há muito tempo no Rio de Janeiro; já vivo há mais tempo no Rio que em Porto Alegre, mas me sinto sempre um gaúcho. É uma presença constante em nossa vida” completa Kleiton.
Mesmo com tanto sucesso, a dupla se separa por sete anos: “A separação foi fundamental para eu me dar conta de que eu gosto de compor com o Kleiton. Gosto de fazer shows e discos com o Kleiton. Na hora em que a gente se separou eu comecei a sentir falta disso. Foi uma escolha. Voltar a estar junto é uma escolha. Não é uma circunstância. A gente se deu conta de que juntos a gente produz muito melhor”, confessa Kledir.
- Kleiton e Kledir - entrevista completa
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RadarCultura
Kleiton & Kledir: "Nunca vamos deixar de ser gaúchos"
Entrevista realizada em 9 de setembro de 2011
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