Kléber Albuquerque: tento não ter restrições com a música
Botijão de gás, latas, serrotes e até mesmo um teclado de brinquedo complementam harmoniosamente a Miniorkestra de Polkapunk, de Kléber Albuquerque. Seus músicos, chamados de “parceiros”, transitam entre o ska, rock, bolero, canção, samba e reggae sem deixar de lado a unidade de seu álbum, Só o amor constrói, lançado em 2009. Unidade que não precisa ser defendida ou esclarecida pelo artista, pois Kléber alcançou um nível estético musical que permite a interpretação e a subjetividade.
“A minha música parte de uma memória sentimental. Sou uma pessoa que não estudou música; acabei lidando com a música de uma forma muito intuitiva e autodidata. Então, tive uma formação (a partir) do rádio e dos discos que meus pais e meus tios ouviam e que eram uma grande mistura...", afirma o músico durante a entrevista ao RadarCultura no dia 20 de outubro de 2009. "Não sou um sambista, não sou um roqueiro! Faço de tudo porque pra mim sai naturalmente. Eu poderia fazer um disco de músicas caipiras porque sinto isto forte em mim, não é falso quando faço. Poderia fazer um de rock , pois participei de movimento punk, tive banda. Tento não ter restrições com a música.”
A composição é um terreno que Kléber Albuquerque pisa firme desde seu primeiro álbum, 17.777.700 (1997). Desde então o artista raramente grava músicas que não de sua autoria, preferindo revelar parcerias, como as inéditas com Chico César, Danilo Moraes e Fred Martins, presentes neste quinto disco de carreira.
Canções como a “A vossa casa rosada”, poema musicado de Hilda Hilst, reforçam sua proximidade com a literatura desenvolvida durante os anos que cursou faculdade de Letras. O amigo e poeta André Sant'Anna sobrepôs a leitura de um trecho de seu livro O amor na faixa “Já não tenho medo” , uma das melhores do álbum e música capaz de criar um “saudável” desconforto.
Durante a entrevista ao RadarCultura, Kléber Albuquerque apresentou três canções ao vivo, sendo duas delas, unidas pela solidão. Em “Por um triz”, um “preset” do teclado de brinquedo foi a base da melodia composta durante uma madrugada de insônia; em “Tevê”, parceria com Zeca Baleiro, Kléber fala da postura solitária do espectador em frente ao televisor (“um filme na tevê / um corpo no sofá / um tempo pra moer / o vidro do olhar / e a vida a passar / a vida sempre a passar”).
- Por um triz - Kléber Albuquerque (versão ao vivo) - RadarCultura
Um disco para fugir do óbvio.
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