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  • A cantora e compositora Juliana Caymmi. Gal Oppido

    Juliana Caymmi em 'Para dançar a vida'

    Alceu Maynard | 19.10.2011

    Em disco de 1972, Dorival Caymmi canta mais uma de suas canções enraizadas no cotidiano. Dessa vez anuncia “Quando a maré vazá / Vou ver Juliana”. Três anos depois, cientes do apreço do compositor pelo nome, seu filho, Danilo, e sua esposa , Ana Terra, presenteiam o autor de "O que é que a baiana tem?" com sua primeira neta, Juliana.

    Anos mais tarde, enquanto pinta retratos e paisagens em um dos cantos da casa, Dorival conta histórias para a menina. “O principal da minha relação com ele conversar e ouvir as histórias, ouvindo as coisas que ele tinha pra falar; uma pessoa que contava aquelas histórias antigas... Era uma pessoa muito carinhosa. Tinha uma ética incrível, que vivenciava aquilo que escrevia, ‘pobre de quem acredita na glória e no dinheiro para ser feliz’. Era extremamente simples”, lembra a cantora Juliana Caymmi. 
     
    Mesmo convivendo no meio musical desde pequena, Juliana lança seu primeiro CD somente agora, aos 34 anos de idade. A cantora que chegou estudar direito vê sua trajetória tomar outro rumo graças a um CD demo que cai nas mãos da gravadora Kalamata. Assim nasce o disco "Para dançar a vida".

    Com ajuda do arranjador, produtor e violonista Ricardo Matsuda, o álbum transita por diversos ritmos, como bossa nova, coco praieiro e samba ("Porque sou carioca"única parceria de Juliana com sua mãe, a letrista Ana Terra). Além de composições próprias, a cantora escolhe outros autores, como Fred Martins, Eudes Fraga, Elpídio dos Santos, Fátima Guedes e o tio Dori Caymmi ("Desenredo", com Paulo César Pinheiro). “Sou totalmente ‘Doriana’. Acho que a minha influência principal é o tio Dori... Minha atração talvez seja esse lado bucólico. Tio Dori tem um lado bucólico, uma coisa de natureza, e a paixão por harmonia, pelo mundo dos acordes, vem dele”, afirma em entrevista ao RadarCultura.
     
    • Desenredo - Juliana Caymmi

    Ao carregar o sobrenome de uma das famílias da música brasileira, Juliana afirma ser inevitável a autocrítica, mas que procura combater lapidando sua identidade sonora: “O lado bom sempre prevalece, porque tem uma neura, uma neura muito mais às vezes da gente, porque tem coisas feitas anteriores e você já nasce sendo comparada”, dispara.
     
    Com a mesma leveza sugerida no título de seu primeiro CD, Juliana encerra o álbum com a poesia de Fátima Guedes, assumindo seu caminho artístico, e sem mais tempo a perder.
     
     
    E lá vou eu
    Flor de ir embora, eu vou
    Agora esse mundo é meu 
     
    (“Flor de ir embora”, de Fátima Guedes)

    • Juliana Caymmi em Para dançar a vida - RadarCultura (Íntegra)
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    RadarCultura
    Juliana Caymmi em "Para dançar a vida"

    Entrevista realizada na RCB em 25 de abril de 2011
    EXIBIÇÃO 18.04.2011, 16:00

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