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  • O cantor e compositor Marku Ribas durante o programa Bem Brasil, em 2004. Jair Bertolucci / CEDOC FPA

    É importante gravar com Rolling Stones; mais ainda com Jackson do Pandeiro!

    Alceu Maynard | 11.01.2011

    “Loas são cantigas populares de louvor, louvor a alegria, a alguém, a algum santo... O brasileiro faz do canto uma reza” conta Marku Ribas em entrevista do RadarCultura.

    O novo álbum do cantor, compositor, instrumentista e ator era pra se chamar Croas e loas. Croas é uma corruptela barranqueira do Rio São Francisco, de Pirapora, norte de Minas Gerais: “Os nativos dão nome a uma ilhazinha de areia que o sol seca depois que a chuva e o rio baixam; eles chamam de coroas, porque reluzem como uma coroa de rainha. Os pescadores chamam de croa... Mas, para não confundir, ficou apenas por 4 Loas, que não tem nenhum misticismo, apenas envolvimento com a cultura linguística nacional”, explica.


    Natural de Pirapora, Marku Ribas conviveu em sua infância com o canto nativo, com as cantigas, ladainhas, aboios e violas caipiras de sua cidade. Filho de pai negro e mãe descendente de índios, sua miscigenação está intrínseca na música, com fusões que vão do samba, xote e baião ao jazz, rock e funk .
     

    • O cantor Marku Ribas e suas influências


    Marco Antonio adotou Marku para homenagear a tribo indígena Cariri-Makú, que habitava o barranco na cidade de Pirapora há 2500 anos, hoje um sítio arqueológico reconhecido pela Universidade Federal de Minas Gerais. “Meu pai me deu o nome de Marco Antonio. Aí você vê esses filmes da Cleóatra e o tal de Marco Antonio e num tem nada a ver comigo”, afirma. E foi com músicos e artistas mineiros que Marku produziu 4 Loas. Gravado e masterizado em Belo Horizonte, o álbum encerra o jejum de 20 anos sem um disco de inéditas.
     

    • Músico fala do hiato de 20 anos sem disco de inéditas


    O novo álbum abre com “Aurora da Revolução” , música que lembra seu maior sucesso, “Zamba Bem”, um clássico do samba-rock.
     

    • Zamba Bem - Ao vivo no RadarCultura


    Questionado pelo entrevistador convidado, o jornalista Ramiro Zwetsch, sobre a origem do nome da música, Marku explica que em "Zamba Bem" o “bem” é uma referência a Mohamed Ahmed Ben Bella, primeiro presidente da Argélia e principal líder da guerra da Argélia pela independência da França. Marku contou outro espisódio relacionado ao seu maior sucesso. Em 1972, para gravar “Zamba Bem”, precisou apresentar a letra a um coronel para ser avaliada pelo comitê de censura. Questionado, Marku tentou explicar a ausência de letra: 'São apenas solfejos; vou fazer com a boca os sons de alguns instrumentos”. Não foi suficiente para convencer o coronel. Marku foi obrigado a fazer uma letra. Escreveu enquanto cantava:

    Zamba Ben
    Zamba Ben é Zamba de Angola
    E aqui já tem também


    “Bis pra acabar logo... Foi o que escrevi. O cara leu, aprovou e carimbou. Depois eu gravei o disco do jeito que eu quis, sem letra nenhuma”, conta Marku.
     

    • Marku fala sobre a liberação da letra de Zamba Bem


    Porém, antes de “Zamba Bem”, Marku viveu um episódio infeliz com a ditatura militar. Em 1967 formou a dupla “Déo e Marco” para gravar na Continental um álbum com seu antigo parceiro de Pirapora. No ano seguinte, participou do Festival Internacional da Canção (FIC), no Rio de Janeiro, com a canção “Canto certo”, que 11 anos depois seria gravada por Alcione com novo título, “Alerta geral”. Com teor de protesto, a música chamou a atenção dos militares e Marku acabou sendo preso em 27 de outubro 1968.

    Exilado na França, o músico desenvolveu outra faceta artística: a da interpretação. Participou como ator de filmes importantes da Nouvelle Vague, como Quatre Nuit D´une Revêur (1969), de Robert Bresson, e Revolution (1970), de Jean-Marc Tibeau.
     

    • As primeiras participações no cinema


    Posteriormente, atuou em filmes brasileiros. como Uma onda no ar (2002) e Batismo de sangue (2007),  Lula, filho do Brasil, de Fábio e Luís Carlos Barreto, e Chega de saudade, de Laís Bodanzky.

    No currículo, Marku Ribas traz a abertura de um show para James Brown e o título de ser o único brasileiro a gravar com os ingleses do Rolling Stones. Tocou percussão, cuíca de boca e tambor marroquinho no álbum Dirty work. Porém, Marku Ribas se orgulha mais das parcerias que desenvolveu na música brasileira: “É muito importante gravar com Rolling Stones, mas mais ainda com Jackson do Pandeiro”. João Donato, Arnaldo Antunes, Erasmo Carlos, BiD, Luizão Maia, Alcione, Emílio Santiago, Paula Lima, Clube do Balanço e Jair Rodrigues são alguns de seus intérpretes e compositores parceiros.

    Cultuado por artistas de gerações mais novas, como Marcelo D2 e Ed Motta, Marku concluiu: “Marku não um cara, um artista sozinho, é um empreendimento!”. Falou e disse.
     

    • É importante gravar com Rolling Stones; mais ainda com Jackson do Pandeiro! - RadarCultura (íntegra)
    EXIBIÇÃO 09.12.2010, 15:00

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