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  • Carlos Careqa: 'Faço música pra mexer com a cabeça das pessoas!'

    Alceu Maynard | 07.10.2011

    “Quando eu pensei neste disco eu queria me despir de todas as coisas anteriores. Estava meio enjoado daquela formação que eu vinha trazendo nos discos: acordeom, percussão, viola e violoncelo”, explica o cantor e compositor Carlos Careqa que, além da explícita mudança sonora em relação aos seus álbuns anteriores, radicalizou no visual. No encarte de "Alma boa de lugar nenhum" há imagens de Careqa raspando a cabeça até se transformar no “careca” da foto da capa, pés descalços, terno branco e prestes a segurar um coração em chamas que levita em sua frente.

    “Meu pai era barbeiro, e quando eu recebi este apelido de careca (depois virou Careqa) foi por decorrência de ter raspado a cabeça. E as pessoas sempre me perguntavam por que eu era careca. Então, o cabelo tem um significado na minha vida. Gosto de cabelo comprido. Vou deixar o cabelo crescer de novo, porque me sinto mais a vontade, me dá uma certa liberdade ter o cabelo comprido. Mas pra capa do disco foi legal ter raspado (a cabeça).”

    Carlos Careqa, que compõe com o violão a tiracolo, dessa vez convidou um time de pianistas para acompanhá-lo: Paulo Braga, Gabriel Levy, Tiago Costa, Chico Mello, André Mehmari, Karin Fernandes e Ana Fridman que, como Arrigo Barnabé, assinam os arranjos de cada faixa. Aliás, o vanguardista paranaense, além de amigo de longa data de Careqa, é assumidamente uma de suas maiores influências.

    “Quando ouvi Arrigo Barnabé foi uma ruptura na minha cabeça. Parecia que tudo aquilo que eu queria fazer musicalmente, o Arrigo tinha feito no 'Clara Crocodilo'. Eu fiquei desesperado. Fiquei seis meses pensando se eu ia mudar de profissão, ou como é que eu ia fazer pra conseguir alguma coisa que chegasse perto do Arrigo. E eu percebi que não era a minha praia, que não ia nunca chegar perto do Arrigo porque a história dele era outra. Aí voltei a fazer o que eu fazia, mas já com toda influência estética do Arrigo misturadas com as minhas influências e minhas idéias próprias”.

    Foi por sugestão de Arrigo que Careqa convidou Chico Buarque para cantar "Minha música", canção composta em 2003 quando fazia a ópera "O homem dos crocodilos" , que tinha como tema um compositor que não conseguia mais compor.   
     

    • A participação de Chico Buarque


    Acompanhado apenas do piano, a voz de Careqa está mais evidente. A interpretação e a habilidade de sua faceta ator (já atuou em diversos longas e média metragens) dão o tom para as letras carregadas de mensagens e duplo sentido: “Como cada pessoa é diferente, cada pessoa tem uma personalidade, cada canção tem uma personalidade. Admiro muito quem consegue interpretar todas as canções. O Chico Buarque é um exemplo... Ele canta com a mesma a voz e a mesma força interpretativa canções de assuntos bem diferentes. Eu não: se eu for falar de morte, tenho que fazer uma coisa pensada na morte. Se eu for falar de amor, tenho que pensar na coisa de amor”, completa. 

    Humor, ironia e crítica caminham juntos na novas composições inspiradas em Kurt Weill, Hans Eisler e, principalmente, Bertolt Brecht, que o fez estudar o idioma alemão: “Faço música pra mexer com a cabeça das pessoas, pra fazer com que as pessoas pensem e possam refletir no que elas estava fazendo”, filosofa em entrevista cedida ao RadarCultura em 15 de março de 2011.
     

    • Carlos Careqa: 'Faço música pra mexer com a cabeça das pessoas!' - RadarCultura (Íntegra)

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    RadarCultura
    Carlos Careqa:
    "Faço música pra mexer com a cabeça das pessoas!"

    Entrevista realizada em 15 de março de 2011

    EXIBIÇÃO 15.03.2011, 16:00

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