Beto Brito e o maior cordel do mundo
“Eu dei um tiro pro céu
derrubei trinta cometas
asteróides? foi de ruma
entortei nove planetas
mil estrelas explodiram
mais de cem luas caíram
no girar das escopetas”
(trecho do livro "Bazófias de um cantador pai d'égua")
Mil e quatrocentas estrofes em setilhas (estrofes de 7 versos), 270 mil caracteres e uma história que vai da Pangeia ao apocalipse. "Bazófias - De um cantador pai d'égua", o maior cordel do mundo, é obra do cantor, compositor, rabequeiro e cordelista Beto Brito. E para quem acha que isso é muito, vale lembrar que este é apenas o volume 1.
O recente projeto do multi-artista, que atualmente ocupa a cadeira de número 8 da Academia Brasileira de Cordel, também envolve um CD com 13 faixas, todas extraídas de trechos do livro. O álbum traz participações especiais de Geraldo Azevedo e da dupla Caju e Castanha. Este é o sexto disco de Beto Brito que, desde o CD "Imbolê" (2005), promove uma fusão de elementos tradicionais e contemporâneos misturando rabeca, literatura de cordel, acordeom, guitarra e loops eletrônicos. O próprio Beto Brito defini seu som: “É um aviãozinho de papel com gps e transponder, casa de chão batido com teto solar”.
- Desligue a TV - Beto Brito
Até "Imbolê", seu terceiro disco, Beto Brito fazia uma música nordestina sem fusões, “O forrozinho puro e simples”, como conta. Em 2005, ele se reuniu com Robertinho do Recife pra quem mostrou suas músicas e alguns cordéis. O guitarrista e produtor incentivou Beto a explorar novas veredas e outras estéticas musicais. A partir daí, o músico aproximou a distorção da guitarra à sua rabeca. O resultado foi um imbolê de estilos, do coco a embolada, passando pelo “rock de capoeira”.
Beto Brito transita com liberdade por diferentes sonoridades, consegue admirar tanto o rapper norte-americano Eminem, como o ícone do brega Waldick Soriano. Entre as principais influências de Brito estão o cantor e compositor Zé Ramalho e o Movimento Armorial, manifestação artística-cultural criada nos anos 1970 com o intuito de unir elementos populares do Nordeste e arte erudita.
O livro "Bazófias", que significa exagero, demorou três anos para ficar pronto. Mesmo assim Beto Brito já planeja o volume 2. Dono de uma memória impecável, ele brinca que irá “memorizar todos os versos e passar oito dias em João Pessoa declamando”.
Durante a entrevista ao RadarCultura em 17 de agosto de 2011, o músico ainda falou do místico Zé Limeira, o rei dos reis entre os poetas, de São Paulo como a porta do Brasil, e do cordel como preservação da cultura nordestina. Em meio a poetas populares e versos que viajam de Maceió a Paris em poucos caracteres, Beto Brito lembra que o cordelista, como poeta, possui o essencial para qualquer arte: “Ele é verdadeiro”.
- Beto Brito - entrevista na íntegra
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RadarCultura
Beto Brito e o maior cordel do mundo
Entrevista realizada em 17 de agosto de 2011
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