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Uma revista eletrônica de arte
Leandro Bomfim volta a gravar depois de dez anos
Conheci Leandro Bomfim em 1998, no bairro da Pompeia, em São Paulo, de onde saíram nomes como Rita Lee e o grupo Made in Brazil. Na época, esse paulistano já esboçava, com voz e violão, as músicas que fariam parte do repertório do CD A malta, totalmente autoral, lançado um ano depois. Voltei a falar com ele em 1999, já com o CD pronto, arranjado pelo músico José Nigro. Nunca mais ouvi falar de Leandro Bomfim até o início de junho, quando seu novo álbum chegou à emissora. Foram mais de dez anos desde o primeiro contato, mas imediatamente reconheci a sonoridade particular desse cantor e compositor.
Leandro Bomfim passou os últimos anos produzindo outros artistas, ou trancado em estúdio. O objetivo era aprender a gravar e acumular know how para ser o próprio produtor e dominar todas as etapas de elaboração de um álbum. "Quando achei que conseguia controlar o projeto inteiro, cobrar o escanteio e sair pra cabecear, decidi produzir o disco."
No novo trabalho, que leva seu nome, o músico retoma a parceria com José Nigro e conta com outras participações especiais: Arthur Maia, André Abujamra, Rogério Rochlitz, Marcos Suzano e o grupo Barbatuques. São nove faixas autorais, todas inéditas e em primeira pessoa, característica que carrega desde o CD A malta. Isso se deve ao processo de interiorização e ao trabalho em estúdio, que é muito solitário, segundo ele. "Eu já sabia que queria contar uma história pessoal. Queria contar essa história de recolhimento, de renascer, de estar num momento escuro e sair para um momento mais solar."
- Nem mesmo eu - Leandro Bomfim (ao vivo) - Galeria
Leandro Bomfim se formou em uma das primeiras turmas de música popular na Unicamp - Universidade de Campinas - depois de estudar composição, violão clássico e prática de conjunto. Foi lá que conheceu os dois principais parceiros: José Nigro e Rogério Rochlitz. Desse período destaca dois aspectos importantes: o grupo de relacionamentos que se formou na universidade e ainda se mantém, além do trabalho vocal. Leandro teve aulas com a cantora Luciana Souza, hoje radicada nos Estados Unidos, com quem desenvolveu o uso da voz como instrumento. Ele recorda que Luciana Souza tinha contato com o cantor americano Bobby McFerrin e trouxe aos alunos de música da Unicamp a técnica do canto sem palavra.
O cantor e compositor paulistano reconhece que o ensino de música tem se desenvolvido no Brasil, com um número cada vez maior de músicos e técnicos bem formados. "Até o Chico Buarque diz isso: nos últimos anos o Brasil teve um avanço na produção musical, o que é verdade. Tecnicamente, tudo cresceu. Mas cada um tem seu caminho. Se chegar para um rapper e disser 'Vai pra universidade', talvez não goste. Mas eu achei legal. Sempre gostei de uma música mais rebuscada: Tom Jobim, Egberto Gismonti, Bach. Saber nunca atrapalha. Mas o músico também não pode abrir mão do aprendizado da estrada. Precisa se comunicar com o público, ralar na noite, tocar por muitas horas seguidas, às vezes para um público alcoolizado. Você tem que estar no ritual da música."
Confira, na íntegra, a entrevista concedida a Alexandre Ingrevallo no dia 9 de junho, véspera do show apresentado em São Paulo.
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