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Uma revista eletrônica de arte
Versos e tambores para os céus
Elas conhecem cada detalhe do ritual em homenagem ao Divino Espírito Santo. Escolhem o repertório musical, improvisam versos e tocam tambor, enquanto entoam cantigas tradicionais. São as Caixeiras do Divino, guardiãs de uma manifestação do catolicismo popular típica do estado do Maranhão.
Anunciação de Maria Reis Menezes se tornou a caixeira Dindinha em 1943, quando tinha apenas dez anos. Foi na capital maranhense que Dindinha conheceu a tradição das Caixeiras do Divino, hoje seguida por outras integrantes da família Menezes: as irmãs Graça e Zezé e a sobrinha Bartira.
A Festa do Divino é uma das manifestações populares mais comuns no Brasil. Veio de Portugal no século 17 e se espalhou por todos os cantos do país. No Maranhão começou pela cidade de Alcântara, como uma festa de rua com procissões rituais. Já em São Luiz esse festejo católico foi abrigado pelas casas de Tambor de Mina, uma religião afro-brasileira. A curiosidade no Maranhão é que a Festa do Divino é conduzida por mulheres.
O primeiro intercâmbio entre São Paulo e as Caixeiras do Divino do Maranhão foi no ano 2000, por iniciativa da Associação Cultural Cachuera!. Desde então, a entidade tem realizado oficinas de tambor com o objetivo de disseminar essa tradição na capital paulista, além de 11 edições da Festa do Divino Espírito Santo. Segundo o etnomusicólogo Paulo Dias, as caixeiras do Divino são portadoras de uma rica tradição, expressa nas cantigas que pontuam cada uma das etapas da Festa do Divino Espírito Santo.
As Caixeiras do Divino conduzem a 12ª edição da Festa do Divino Espírito Santo da Associação Cachuera! a partir deste sábado (7/5). A programação vai até o dia 24, com apoio da Rádio Cultura Brasil, na rua Monte Alegre, 1094, em São Paulo. E, no dia 28, as Caixeiras lançam o segundo CD com cânticos em homenagem ao Divino.
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