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Uma revista eletrônica de arte
'Para meu pai, a maior cantora do mundo foi Elizeth Cardoso!', afirma Gracindo Jr.
“O bem-amado”, ou melhor, o ator Paulo Gracindo, completaria 100 anos neste sábado, 16 de julho de 2011. A interpretação do personagem Odorico Paraguaçu foi tão marcante que é impossível desvincular um do outro. A novela de 1973 também virou série e, recentemente, filme, mas desta vez o bem-amado Odorico foi interpretado por Marco Nanini.
- Gracindo Jr. comenta o personagem Odorico Paraguaçu
Paulo Gracindo começou no teatro do Rio de Janeiro nas companhias de Alda Garrido e Procópio Ferreira. Fez sucesso nos primórdios da Rádio Nacional, principalmente na versão original do programa humorístico Balança, mas não cai no quadro “Primo pobre, primo rico” ao lado de Brandão Filho.
O esquete de humor ganhou nova versão na TV Rio e, também nos anos 1980, na TV Globo. Foi na Globo que o trabalho de Paulo Gracindo ganhou mais repercussão. Seu primeiro papel de destaque foi o bicheiro Tucão da novela Bandeira 2 (1971). O tema musical do personagem também foi tema de abertura da novela. Tucão teve grande apelo popular, mas não impediu que a censura do governo militar exigisse a morte do personagem. No dia da gravação do enterro surgiu um boato que Paulo Gracindo tinha morrido, e mais de 3 mil pessoas compareceram ao cemitério.

Tucão foi a primeira parceria de Gracindo com o novelista Dias Gomes na televisão, mas eles eram velhos conhecidos do teatro. A próxima parceria seria um dos marcos da televisão brasileira. Paulo Gracindo encarnou Odorico Paraguaçu na novela O bem-amado (1973), a primeira em cores na televisão. O personagem e seus bordões ficaram na história, como "Chega de entre tantos e vamos aos finalmentes".
- Trecho de O bem amado
A música de abertura da novela O bem-amado é uma composição de Vinicius de Moraes e Toquinho. Na verdade, toda a trilha sonora leva a assinatura da dupla. A música que abriria o folhetim televisivo seria “Paiol de pólvora”, mas o verso “Estamos sentados em um paiol de pólvora” garantiu seu veto pela ditadura militar. A composição substituta foi “O bem-amado”, interpretada pelo Coral Som Livre.
- O bem amado - Coral da Som Livre
Um dos pioneiros do rádio no Brasil, Paulo Gracindo foi radiator e comandou um programa de música brasileira, precursor dos programas de auditório. No início dos anos 1960, recebeu Elis Regina em seu estúdio, mas para ele Elizeth Cardoso foi melhor cantora do país.
- Gracindo Jr. fala da relação do pai com a música
O ator, além das novelas, ganhou o cinema em filmes como A falecida, de Leon Hirszman, e Terra em transe, de Glauber Rocha. Paulo Gracindo morreu aos 84 anos de idade, vítima de um câncer de próstata, em 1995, no Rio de Janeiro. Treze anos depois, seu filho, o ator Gracindo Júnior, lançou o filme Paulo Gracindo – O bem-amado, um documentário sobre a vida e obra do pai, com depoimentos de José Wilker, Grande Otelo, Bibi Ferreira e do próprio homenageado.
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Acioli
Não falaram do maior sucesso dele nos palcos: a remontagem de "Brasileiro, Profissão Esperança", em 1974, ao lado da luminosa Clara Nunes, ambos dirigidos por Bibi Ferreira, que ficou meses em cartaz. Bola fora da Rádio Cultura!