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Bom Retiro inspira projeto do Teatro da Vertigem
Os bairros paulistanos do Bom Retiro e Brás são responsáveis por um terço da produção nacional na indústria de confecção. A atividade, que começou com os judeus e sírio libaneses na década de 1930 no Bom Retiro, hoje se concentra entre coreanos e bolivianos. Entender o sistema de produção e a contribuição dos imigrantes para o comércio de rua no tradicional bairro de São Paulo foi o que motivou o pesquisador Carlos Freire da Silva. Das lojas nas ruas José Paulino, Três Rios, da Graça e Aimoré saem encomendas revendidas em todo o Brasil. A região, dominada pelo turismo de sacoleiros, é conhecida nacionalmente pelos bons preços, especialmente nas vendas por atacado.
Para Carlos Freire da Silva, o Bom Retiro sofreu degradação, como outros bairros centrais da capital paulista. Mas o sociólogo aposta na indústria de vestuário como caminho para revitalizar o Bom Retiro. Segundo ele, atualmente os artigos de confecção vendidos em ruas como a José Paulino saem de uma linha de produção muito peculiar. São cortados e modelados no Bom Retiro, mas costurados em oficinas espalhadas em vários bairros de São Paulo. Esse sistema ganhou força a partir da década de 1990, quando as fábricas do Bom Retiro reduziram o número de funcionários e passaram a terceirizar a etapa da costura. É nessa fase do processo que se agregam os bolivianos.
Mas o Bom Retiro ainda tem forte presença de outras culturas, como a judaica, conforme pesquisou a doutora em História Ana Claudia Correa. Ela já participou dos seminários do Teatro da Vertigem, detalhando a marca dos judeus no comércio, religião, edifícios e escolas.
Acompanhe, na íntegra, a entrevista de Ana Cláudia Correa e Carlos Freire da Silva a Alexandre Ingrevallo.
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