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  • Títulos de nobreza

    Eduardo Weber | 17.10.2011

    Antigamente era assim. Os grandes nomes da música eram anunciados com pompa e circunstância em shows e, principalmente, nos auditórios de rádio. Esta edição do 78 RPM apresenta oito cantores que receberam em vida ‘títulos de nobreza’, ou se você preferir, ‘apelidos’, ou mesmo ‘slogans” que marcaram suas carreiras.

    O programa começa com Mário Reis. De educação refinada, diplomado em direito, com estilo de cantar inovador, divisão sem igual e intérprete de primeira, era conhecido como “o bacharel do samba”. Mário Reis se especializou no gênero gravando obras como “Agora é cinza” (Bide e Marçal) e “Eu queria um retratinho de você” (Noel Rosa e Lamartine Babo).

    Entre os cantores, Carlos Galhardo era considerado um grande vendedor de discos. Não foi por acaso que era conhecido como “o rei do disco”. Alguns apresentadores ao anunciá-lo diziam: “O cantor que dispensa adjetivos”. Mas Galhardo ficou mesmo conhecido por uma série enorme de valsas que registrou como “Cortina de veludo” (Paulo Barbosa e Oswaldo Santiago) e “E o destino desfolhou” (Gastão Lamounier e Mário Rossi). Nada mais justo, então, do que ser chamado de “o rei da valsa”.

    Ele chegou até a atuar em ópera. Poderia ter feito carreira no mundo lírico, mas optou por ser uma estrela da música popular, talvez com a voz mais potente de todos os tempos. Vicente Celestino é um dos cantores lembrados nesta edição. “A voz orgulho do Brasil” canta “Santa” (Freire Júnior) e a clássica “Noite cheia de estrelas” (Cândido das Neves).

    Se no início de sua carreira a gravadora RCA só queria saber do fole de sua sanfona, não permitindo que ele cantasse, em pouco tempo teve que se render a voz que se tornou “o rei do baião”, mais tarde “a majestade do baião” e por toda a vida “o embaixador sonoro do sertão”. Luiz Gonzaga está presente nesta edição do 78 RPM. em dois clássicos de sua autoria e Humberto Teixeira: “Baião” e “Asa branca”.

    Francisco Alves é presença obrigatória. “O rei da voz” foi um cantor soberano. Foi o que mais gravou em 78 rotações e talvez o intérprete mais influente de seu tempo. Para esta edição selecionamos o seu prefixo musical, “Boa noite, amor” (José Maria de Abreu e Francisco Mattoso) e “Serra da Boa Esperança” (Lamartine Babo).

    Um dia ele veio a São Paulo para se apresentar na sacada de uma rádio. Na rua, aproximadamente 10 mil pessoas esperavam para ouvi-lo. Foi o bastante para que o radialista Oduvaldo Cozzi passasse a chamá-lo de “o cantor das multidões”, Orlando Silva de “Juramento falso” (J. Cascata e Leonel Azevedo) e “Rosa” (Pixinguinha e Otávio de Souza).

    O 78 RPM, nesta edição dos cantores e seus “títulos de nobreza”, apresenta Sílvio Caldas, nosso saudoso “caboclinho querido”, “o seresteiro do Brasil”, que comparece nas gravações de “Serenata” (com Orestes Barbosa), e “Sorris da minha dor” (Paulo Medeiros).

    Por fim um nome não muito conhecido das gerações atuais, mas que começou sua carreira em fins dos anos 1920, em Recife, no conjunto Turunas da Mauriceia. Já naquele tempo ele se destacava por sua maneira peculiar de cantar e por sua voz afinadíssima, sendo então considerado “a patativa do Norte”, Augusto Calheiros. Se você não tem ideia de quem foi Augusto Calheiros, quem sabe o reconheça na gravação escolhida, uma das músicas mais singelas da nossa história: “Chuá, chuá” (Pedro de Sá Pereira e Ary Pavão).
     

    • Títulos de nobreza - 78 RPM (Parte 1)

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    78 RPM
    Títulos de nobreza

    Apresentado originalmente na RCB em 16 de outubro de 2011
    Locução: Roberta Martinelli
    Produção: Eduardo Weber

     

    EXIBIÇÃO 16.10.2011, 20:00

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