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  • Malandro...

    Eduardo Weber | 12.09.2011

    Esta edição do 78 RPM apresenta um repertório que foi cantado e explorado a exaustão no início do rádio brasileiro e da indústria do disco.

    O malandro foi tema de incontáveis sambas e até mesmo de uma ópera nos anos 1980, assinada por Chico Buarque de Hollanda. Na era do rádio, tudo era motivo para um samba, incluindo personagens da boemia. Lugar suspeito, companhia mal encarada, sujeito de bigodinho fino, cabelo engomado, terno de linho, chapéu Panamá e navalha no bolso. Tempo em que qualquer um podia ser levado à delegacia por vadiagem...

    O repertório sobre malandro, seus hábitos, sua “filosofia” e suas trapalhadas, é grande. O programa começa com dois clássicos do samba de breque em defesa do “não fazer nada” e “sair por cima”: “Acertei no milhar” e “O conto do pintor”. Passa também pela polêmica entre Wilson Batista e Noel Rosa. Tudo por causa de um “Lenço no pescoço” achincalhado em “Rapaz folgado”.

    Como fica o malandro quando o assunto é amor? Tem a visão “machista” do samba “Mulher de malandro”. Tem a resposta da mulher que não é boba e não aceita conversa mole daquele que tem “Mania de malandro”, e acaba com na filosofia de boteco: “O amor regenera o malandro”.

    O 78 RPM também se lembra da turma da linha dura, que puxava o breque da malandragem. É o “delegado” que comparece em sambas bem divertidos nas vozes de Moreira da Silva, Jorge Veiga e Germano Mathias.

    O malandro e a malandragem seguem em desfile neste programa que retrata em forma de música um estilo de vida em que sonhos, lugares chiques e personagens idealizados de latim convincente e sem tempo ruim, época em que malandro não era, necessariamente, sinônimo de bandido, como fica claro na letra de “O que será de mim?”, de Ismael Silva e Nilton Bastos, gravado por Mário Reis e Francisco Alves.

    Se eu precisar algum dia
    De ir ao batente
    Não sei o que será
    Pois vivo na malandragem
    E vida melhor não há

    Minha malandragem é fina
    Não desfazendo de ninguém
    Deus é quem nos dá a sina
    E o valor dá-se a quem tem

    Também dou a minha bola
    Golpe errado ainda não dei
    Eu vou chamar Chico Viola
    Que no samba ele é Rei.

    Dá licença, seu Mário?

    Oi, não há vida melhor
    E vida melhor não há
    Deixa falar quem quiser
    Deixa quem quiser falá

    O trabalho não é bom
    Ninguém pode duvidá
    Oi, trabalhar só obrigado
    Por gosto ninguém vai lá”

     

    • Malandro... - 78 RPM (Parte 1)

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    78 RPM
    Malandro...

    Apresentado originalmente na RCB em 11 de setembro de 2011
    Apresentação: Roberta Martinelli
    Produção e roteiro: Eduardo Weber

     

    EXIBIÇÃO 11.09.2011, 20:00

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