78RPM
A sonoridade de uma épocaConvite à dança
Para ouvir e dançar. Ao menos relembrar os antigos bailes. Essa é a proposta desta edição do 78 RPM que leva ao ouvinte uma seleção de ritmos e gêneros musicais que fizeram sucesso no passado e que muitas vezes estão presentes nos bailes de hoje.
Em baile de debutante ou de formatura não pode faltar a tradicional valsa. O programa apresenta gravações raras, como a feita pela orquestra do maestro Gaó, tendo o crooner do Cassino da Urca Léo Albano interpretando “Ao cair de uma estrela”, de Laurindo de Almeida e Edgard de Almeida.
Um dos ritmos quentes dos anos 1930 e 1940 é uma criação do ator norte-americano Harry Fox. A dança que ele criou está presente nas gravações de Francisco Alves, em “Nossa melodia”, de Carolina Cardoso de Menezes e José Carlos Lisboa, e na adaptação para o fox do samba “Agora é cinza”, de Bide e Marçal, feito e executado pela própria pianista, Carolina Cardoso de Menezes.
Num programa que faz um convite à dança, os ritmos latinos são obrigatórios, como rumba e bolero. E aqui outra gravação rara, o bolero “A abelha e a borboleta” (H. Salvador e M. Pon) na interpretação do violonista Garoto.
Inspirado na época do swing, Severino Araújo criou a Orquestra Tabajara, talvez a mais antiga e respeitada orquestra de baile do Brasil, que comparece em “Feitiço da vila” (Noel Rosa eVadico) e “Paraquedista” (José Leocádio). Seguem ainda o estilo das antigas gafieiras, tendo no comando dois trombonistas famosos: Astor e Raul de Barros que tocam respectivamente “Comprando barulho” e “Arrasta a sandália”.
O 78 RPM sabe que num determinado momento do baile o negócio é dançar de rosto coladinho. Nesse momento são escalados dois sambas-canções, com música de Tom Jobim: “Solidão” (letra de Alcides Fernandes) e “Por causa de você” (letra de Dolores Duran). O convite à dança é embalado pelas vozes de Nora Ney e Dolores Duran.
Se o público tiver fôlego e conhecer o passo, é hora da agitação da polca e da tarantela. A polca “Tô achando graça” é assinada por Luiz Americano que comanda sua orquestra. A tarantela é uma raridade. Trata-se de uma composição de Ernesto Nazareth interpretada pela Orquestra Pan Americana: “Paulicéa, como és formosa”.
Os derradeiros momentos do 78 RPM são dedicados às danças alegres da invenção brasileira. Tem maxixe, “Doutor... sem sorte” (Agenor Bens), chamego, “Vira e mexe” (Luiz Gonzaga) e Carnaval, no passo do frevo, “Evocação” (Nelson Ferreira), para quem tem guarda-chuva, pernas e fôlego para aceitar o convite à dança do programa que leva ao público a sonoridade de uma época. Neste dia, a dos bailes antigos.
E o tango? Fica pra outra ocasião.
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78 RPM
Convite à dança
Apresentado originalmente em 23 de outubro de 2011
Locução: Roberta Martinelli
Produção Eduardo Weber
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