• Controle Remoto - Ouça Ao Vivo

  • Cidade do Rock. Montada na via Nove, em Jacarepaguá, tem 250 mil metros quadrados e um palco de 80 metros de frente por 20 metros de altura. Reprodução

    Rock in Rio: todos numa direção

    Ricardo Tacioli | 20.09.2011

    compartilhe




    O ano de 1985 promete ser bem diferente dos anteriores. Logo em janeiro, dois eventos atraem a atenção dos brasileiros. O primeiro é a eleição indireta para Presidente da República no dia 15 de janeiro, com a disputa entre os civis Tancredo Neves (PMDB) e Paulo Maluf (PDS), que coloca um ponto final no governo dos militares, no poder desde 1º de abril de 1964.

    O segundo muda a cultura pop brasileira. Entre os dias 11 e 20 de janeiro, o Rock in Rio reúne artistas de diversos calibres e gêneros, cravando de vez o Brasil no roteiro dos grandes shows internacionais. “Rock in Rio foi a institucionalização da cultura jovem nacional por todos os meios imagináveis: palco e público enormes, transmissão nacional pela Rede Globo, apoio das gravadoras, das rádios e da imprensa”, afirma o jornalista Ricardo Alexandre, autor do livro Dias de luta – O rock e o Brasil dos anos 80 (2002).

    Organizado pela Artplan Eventos, empresa de Roberto Medina que anos antes havia trazido Frank Sinatra, Barry White e Julio Iglesias, e com o slogan “Dez dias de música e paz”, o festival define a história da música pop e do rock no Brasil, turbina o heavy metal no país, como também retrata sua juventude e o momento político de então.

    Nesta playlist, os cinco primeiros dias do festival, destacando em ordem de apresentação as atrações brasileiras com uma das músicas interpretadas. Com exceção para os áudios dos Paralamas do Sucesso e do Barão Vermelho, que lançam discos dos shows, os demais são de álbuns de estúdio.


    Sexta-feira, 11 de janeiro

    Às 18 horas, o ator Kadu Moliterno, o Juba da série juvenil Armação ilimitada, que estrearia meses depois na TV Globo, surge como apresentador oficial do festival. À sua frente, 100 mil pessoas com luvas verde-fosforescentes distribuídas na entrada.

    O primeiro artista a se apresentar é Ney Matogrosso, que abre a noite cantando “América do Sul”, um dos temas de seu show Destino de aventureiro. Seguem os ex-Novos Baianos Pepeu Gomes e Baby Consuelo, e o pai do rock brasileiro, Erasmo Carlos, que enfrenta a horda de cabeludos sedentos de Whitesnake e Iron Maiden. Tremendão canta baladas e o sucesso “Close”, rock bem-humorado em homenagem à transexual Roberta Close. A rapaziada do "rock pesado" não entende e vaia o parceiro de Roberto Carlos, também presente no evento.
     

    • América do Sul - Ney Matogrosso


    Sábado, 12 de janeiro

    No segundo dia, o festival deixa o rock de lado com atrações fora do gênero como Ivan Lins, que abre a noite, a espivetada Elba Ramalho e o camaleão Gilberto Gil. A plateia espanta o calor de 40º C tomando a cerveja Malt 90 - lançada na época pela Brahma, a maior patrocinadora do evento – e abanando-se com as baladas de James Taylor, que ressurge depois de uma temporada de drogas e outros grilos.

    • Banho de cheiro - Elba Ramalho


    Domingo, 13 de janeiro
    O pop sintoniza o festival no domingão: 20 mil pessoas dançam os sucessos radiofônicos d'Os Paralamas do Sucesso, que contam com dois discos nas costas: Cinema mudo (1983) e O passo do Lui (1984). O vocalista e guitarrista Herbert Vianna, entre as palmeiras de papelão que compõem o cenário, não perde a oportunidade e dedica o show a nomes importantes do rock ausentes no festival: Titãs, Ultraje a Rigor, Magazine e Lobão. Depois, o hitmaker Lulu Santos não consegue embalar o público com seus chicletes ensolarados, exceção para “Tempos modernos”. Discursa contra o Menudo – boy band porto-riquenha –, não toca seu maior sucesso (“Como uma onda”) e finaliza o show dizendo que “Os americanos querem que eu acabe”. Sai desanimado. Entra a Blitz que, apesar de ser a maior banda nacional, não vive um bom momento nas internas. Depois, os gringos: a modernosa e garota de Berlim Nina Hagen, o ex-The Faces Rod Stewart e o grupo feminino Go-Go's.

    • Óculos - Paralamas do Sucesso


    Segunda-feira, 14 de janeiro 
    Na véspera da eleição indireta para Presidente da República, o palco do Rock in Rio recebe Moraes Moreira e Alceu Valença, e abaixa o beat com George Benson e James Taylor.

    • Tropicana - Alceu Valença


    Terça-feira, 15 de janeiro
    Direto de Brasília, com transmissão ao vivo pelas TVs brasileiras, o Colégio Eleitoral anuncia o novo Presidente do Brasil: com 480 votos contra 180, Tancredo Neves atropela Paulo Maluf. O Brasil estoura de alegria e o Rock in Rio capitaliza os novos tempos: o grupo carioca Kid Abelha e Os Abóboras Selvagens faz o primeiro show da democracia, enfileirando durante 35 minutos os hits de seu primeiro disco, Seu espião (1984). Claro, sob vaia dos seguidores do heavy metal.

    • Nada tanto assim - Kid Abelha e os Abóboras Selvagens


    Mas quem pena na mão dos camisas cinzas que aguardam Scorpions e AC/DC é Eduardo Dusek. Ele canta marchas carnavalescas e rocks, chama os metaleiros de malufistas e proclama: “Eu estou com a maioria. Se você é negativo, porque vir a um festival de rock? Fique em casa e se suicide, que é melhor!”. Arf! Melhor performance tem Barão Vermelho, com Cazuza e Roberto Frejat, que entra para a história cantando “Pro dia nascer feliz” num baita dia histórico. É, como diz a canção-tema do festival, "que a vida começasse agora, que o mundo fosse nosso de vez!"
     

    • Pro dia nascer feliz - Barão Vermelho

     

    EXIBIÇÃO 10.10.2010, 00:00

    compartilhe

    comente

    É preciso estar logado para comentar. Fazer Login | Não tenho login

    comentários

    VAL
    VAL

    PARABÉNS ISTO AQUI TÁ MARAVILHOSO !!!

    VAL
    VAL

    Lembro q Os Paralamas do Sucesso, fizerem o palco tremer(no bom sentido) e ouvi dps o Herbert dizendo que achavam q eles é q iam tremer...enfim mostraram logo a que vieram FERVERR!! Adoro a banda! Ah! na época a vocalista Paula Toller era mto criticada pela galera...

    • play
    • pause
    • stop
    • min volume
    • max volume
    • previous
    • next