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Seleções musicais e histórias
Pardon my portuguese
A presente lista prova que cantores estrangeiros podem se expressar em português, muito além do ‘obrigado’ pronunciado sob aplausos de plateias verde-e-amarelas. Com sotaques diversos, a sequência musical que você vai ouvir traz europeus da Itália (Sérgio Endrigo), Inglaterra (Everything but the girl), Alemanha (Marlene Dietrich) e França (Brigitte Bardot) arriscando-se no idioma de Carlos Lyra, Tom Jobim, Catulo da Paixão Cearense, Roberto e Erasmo Carlos.
Do outro lado do Atlântico vêm representantes das três Américas. A argentina Mercedes Sosa conta com a ajuda de Milton Nascimento para enfrentar os versos de Fernando Brant. Nascido em Caiena, capital da Guiana Francesa, Henri Salvador é velho amigo da língua luso-brasileira, pois viveu no Rio de Janeiro onde se apresentou com sucesso no Cassino da Urca. Caso raro de cubano que cante em português, o compositor, cantor e pianista Bola de Nieve quis um Ary Barroso não óbvio e escolheu “Faixa de cetim”.
- Faixa de cetim - Bola de Nieve
Pra completar, a terceira América se faz presente por meio de jazzistas que não dispensam a canção popular. A lista tem início com uma gravação realizada, ao vivo, em Los Angeles, na qual Ella Fitzgerald, antes de se aventurar na letra de Ronaldo Monteiro de Souza, previne a audiência que vai cantar na língua de Ivan Lins. Al Jarreau encarou o internacional Jorge Ben de “Mas que nada”; Nat Cole vasculhou o baú do samba e pinçou “Não tenho lágrimas”, de 1937, e o quarteto The Manhattan Transfer convocou Djavan para auxiliar na pronúncia de versos como “mangas do Pará, pitombeiras da Borborema / A ema gemeu no tronco do juremá”.
- Mas que nada - Al Jarreau
Capítulo de destaque entre as preferências gringas, o autor de “Corcovado” tem incluídas duas parcerias cantadas por americanos. Os versos de Aloysio de Oliveira desafiam o radicalismo interpretativo da jazzista Betty Carter. A letra de Vinicius de Moraes para “Água de beber” diverte Ella Fitzgerald que já dedicou um álbum inteiro à obra de Antônio Carlos Jobim, autor de “Pardon my english”, que tem como subtítulo “Samba torto”.
- Água de beber (Water to drink) - Ella Fitzgerald
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comentários
Terráquiano
“Minha pátria é minha língua” Fala Mangueira! Fala! Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó O que quer O que pode esta língua? Vamos atentar para a sintaxe dos paulistas E o falso inglês relax dos surfistas Sejamos imperialistas! Cadê? Sejamos imperialistas! Vamos na velô da dicção choo-choo de Carmem Miranda E que o Chico Buarque de Holanda nos resgate E – xeque-mate – explique-nos Luanda Ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo
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Georg
Na dimensão de um átomo do tempo, estamos surfando nas ondas sonoras. A espuma de palavras que soa em nossos ouvidos e soma-se à melodia processada em nossa mente, chega a nossa alma no devaneio de uma melodia. Música! Georg