• Controle Remoto - Ouça Ao Vivo

  • Capas de três discos progressivos: (da esq. p/ dir.) Snegs (1974), do Som Nosso de Cada Dia; Terço (1972), de O Terço; e Som Imaginário (1971), do grupo de mesmo nome. Reprodução

    Os progressistas

    Felipe Missali | 20.07.2011

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    O cenário é a Inglaterra dos anos 1960: os Beatles alcançavam os níveis mais altos da experimentação, o contato com os primeiros sintetizadores, Jeff Beck retrabalha o "Bolero", de Ravel. Ficção cientifica, loucura, guerra e natureza. A gênese e o apocalipse. Temas minimalistas e abstratos.

    O Pink Floyd, divisor de águas entre os ouvintes, talvez tenha sido o que criou mais empatia com o público, isso depois de mudar seu estilo de composição:  o que antes era longo, inventivo e delirante começou a se transformar em composições menores e em canções, muitas delas claramente radiofônicas. Mas o grande embate com o ouvinte ficou a cargo de bandas como Yes, King Crimson e Emerson Lake & Palmer. Isso, sim, era para poucos. Esses poucos, na maioria garotos, impressionados pelos solos de guitarra, pediam insistentemente a seus pais o instrumento elétrico de seis cordas, na época uma Gianinni (as importadas eram muito caras).

    Mesmo com a MPB e o movimento hippie no ar, o oculto e a fantasia encontraram algumas cabeças disponíveis a pensar o que seria o progressivo no Brasil. Progressivo porque, ao que tudo indica, saía das raízes do rhythm and blues e progridia para a música erudita, para o jazz e, em alguns casos, flertava com escalas orientais.

    Em São Paulo, os Mutantes, donos de canções psicodélicas e líricas, evoluíam da mesma forma que os Beatles para um som completamente complexo, mais para uma lado matemático e hermético. Rita deixa a banda por não concordar com essa tomada de posição; ela ainda gostava de rock n'roll, mas Arnaldo Baptista, o eterno Lóki incompreendido, grava com o irmão guitarrista Sergio Dias o disco o A e o Z em 1973, lançado somente em 1992.

    Em Minas, o Som Imaginário, que tinha Wagner Tiso, Zé Rodrix, Tavito e o vocal de Milton Nascimento, lança A matança do porco, com arranjos tão interessantes e modernos que colocou a banda ao lado de grandes cantores como Marcos Valle e Gal Costa.
     

    • Armina - Som Imaginário


    No Rio de Janeiro, nos anos 1970, nasceu o Bacamarte, a mais importante banda progressiva brasileira na opinião de quem mais importa, os ouvintes. O grupo conquistou seu lugar ao sol somente depois de suas músicas serem veiculadas na Rádio Fluminense FM no início dos anos 1980. A emissora carioca foi umas das responsáveis pela divulgação das novas bandas de rock que surgiam no Rio naquela década, como Os Paralamas do Sucesso. Mas essa visibilidade não garantiu que o Bacamarte lançasse o sucessor de Depois do fim (1983), único registro fonográfico do grupo reeditado em 1998 pela gravadora Som Livre
    .

    • Smog alado - Bacamarte


    Esta playlist reúne um repertório da velha guarda que espelha muito bem o progressivo no Brasil.

    Vale a pena ouvir também: Júpiter Maçã, Ave Sangria, Pão com Manteiga, Terreno Baldio, Moto Perpétuo, Casa das Máquinas e A Barca do Sol.

     

    EXIBIÇÃO 06.12.2010, 14:00

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    comentários

    Marcus Moura
    Marcus Moura

    Bom artigo, Felipe! Apenas esclarecendo: o disco Depois do Fim, do Bacamarte, foi reeditado pela Som Livre (aqui e no Japão, através de um licenciamento - o primeiro na história da gravadora) apenas em 2009. A reedição de 1998 foi pelo selo Rarity. Abraços, Marcus Moura