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  • Capa da revista Brucutu (e.), Batman e a matéria do semanário Veja sobre o caso Hulk -Zé Ramalho. Reprodução

    Histórias em quadrinhos

    Alceu Maynard | 27.04.2010

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    Aranhas, morcegos, mutações, superpoderes, tônicos que proporcionam habilidades sobre-humanas, teletransporte, universos e dimensões paralelas, vilões e heróis. Quem nunca passou horas e horas entretidas com universo mágico das histórias em quadrinhos?

    Nesta seleção musical, algumas canções que demonstram o fascínio e a influência destes muitos personagens na música popular brasileira.

    E não foram apenas cenários fictícios e os grandes heróis que inspiraram alguns compositores brasileiros. Há espaço para um anti-herói pelos esgotos e subterrâneos de São Paulo retratados por Arrigo Barnabé em seu álbum Clara crocodilo, ou até mesmo enormes “Tubarões voadores” sobre as ruas, furiosos, querem devorar adultos e crianças da capital paulista.




    Antes de se apresentar com a música “Diversões eletrônicas” no I Festival universitário da MPB, em 1979, o compositor deu uma entrevista a TV Cultura na qual afirma ser grande admirador dos cartunistas, escritores e ilustradores Will Eisner (Spirit), Robert Crumb e  Stan Lee, autor de  X-Men, o Homem-aranha, o Quarteto fantástico, o Incrível Hulk, e o Homem de ferro. Mas foi o trabalho de seu amigo, o cartunista Luiz Gê que pontuou seu álbum Tubarões voadores, sendo encartado com o disco um gibi em preto e branco. Era a linguagem dos quadrinhos transposta para a linguagem musical.

    Misticismo também faz parte de muitos roteiros de revistas de história em quadrinhos. Grande apreciador destes temas, o compositor paraibano Zé Ramalho demonstrou ser um fã de historinhas em quadrinhos. Em 1982, compôs "A força verde". No título fica clara a homenagem ao Incrível Hulk, um dos personagens mais populares da Marvel Comics, que já resultou em uma série de TV, filme, e milhares de edições em quadrinhos por todo o mundo. Porém, Zé Ramalho teve que invocar a força do verde herói para encarar uma ação judicial envolvendo esta música, acusada de plágio ao usar versos do poeta irlandês W.B.Yeats. Trechos do mesmo poema foram usados em uma legenda da edição número 1 de O incrível Hulk, publicada no Brasil em 1972. 

    E por falar em justiça, obstinado em manter a ordem em sua Gotham City,  Batman é um dos heróis mais citados no repertório nacional. Nos anos 1980, "Gotham city", de Jards Macalé e Capinan, foi regravada pelo grupo Camisa de Vênus. Originalmente de 1969, a canção foi apresentada no IV Festival internacional da canção. Com muitos amigos no exílio, os autores falam sobre a existência de "morcegos e abismos na porta principal", criando um paralelo entre o clima dos anos de chumbo e a sombria cidade de Bruce Wayne. Cidade que rendeu uma coleção inimigos ao homem-morcego. Vilões e vilãs como a Hera venenosa, que usa suas armas e encantos para tentar destruí-lo. Com o poder de controlar plantas e acelerar ou desacelerar o crescimento das mesmas, Hera Venenosa, em uma licença poética virou tema da música "Erva Venenosa" (Poyson Ivy, de Jerry Leiber, Mike Stoller e vs. Rossini Pinto) que no ano 2000 foi regravada por Rita Lee.

    Da cidade à floresta. Um forte homem luta para defender a selva em que foi encontrado e adotado por grupo de macacos. Tarzan foi criado pelo escritor norte-americano Edgar Rice Burroughs no romance Tarzan of the Apes, de 1912. Em 1936, os compositores Noel Rosa e Vadico escreveram “Tarzan”. Segundo o saudoso pesquisador Abel Cardoso Junior, este samba fez parte do filme Cidade mulher (direção Humberto Mauro, 1936) e ganhou o subtítulo "O filho do alfaiate". A ideia era parafrasear Tarzan – O filho das selvas, enquanto satiriza a nova moda dos enchimentos nos paletós, que transformava raquíticos em impressionantes atletas visuais.

    E sátira e bom humor era marca registrada dos Originais do samba. Em 1978, Mussum e sua trupe armaram "O aniversário do Tarzan" (Bonsucesso, J. Carioca, Murilo Penha "Bidi"). Divertido, este samba convoca o Príncipe Lothar, Mandrake, Fantasma, e os brasileiros Mônica, Cebolinha, Cascão e Anjinho para a festa na floresta.

    Um relâmpago dourado rasgou o céu do gibi
    E eu fiquei todo chamuscado
    Quando o relâmpago bateu aqui..
    Na minha calça Lee
    E depois o Homem-aranha
    Na página dois do mesmo gibi
    Me agarrou e quis saber por que


    O mucho loco Jorge Mautner compôs “Cachorro louco”. Referindo-se expressão popular “Agosto, mês do cachorro louco”, o compositor narra através das páginas de um gibi as suas aventuras que passam por homem-aranha, tio Patinhas e Zé Carioca, misturando lua cheia, relâmpagos, feitiços e diversos outros ingredientes tão presentes nas histórias em quadrinhos.

    E Caetano Veloso também usou de elementos da linguagem dos HQs para fazer uma crítica aos desatinos da supervalorização:



    Vestida de Robin, Elis Regina canta "Superbacana" em 1971.
     

    Superbacana Superbacana
    Superbacana Super-homem
    Superflit, Supervinc
    Superist, Superbacana


    Do avanço econômico
    A moeda número um do Tio Patinhas não é minha
    Um batalhão de cowboys
    Barra a entrada da legião dos super-heróis



    Durante a Jovem Guarda, Robero Carlos popularizou o personagem Brucutu em uma versão de Rossini Pinto. Criado pelo norte americano Vincent T. Hamlin, Brucutu é um homem das cavernas que vivia  vivia com seu dinossauro de estimação, Dinny. Nos anos 1960 e 1970, o personagem Brucutu virou no Brasil sinônimo de pessoa grosseira, sem modos, bruta.

    E, para encerramos esta seleção, uma música que cita de forma escancarada e escrachada “Esta é a era que já era!... A era dos super-heróis”. A mensagem era passada direta na capa do álbum, com os integrantes Luís Carlos Malully (voz e guitarra), Marcos Maynard (teclados), Sérgio Lopes (baixo) e Marco Aurélio (bateria) fantasiados de super-heróis. Lee Jackson era um grupo paulistano formado em 1969 em São Paulo. Participou da jovem guarda, mas ficou mais conhecido por gravar versões em samba-rock de hits de Elvis Presley, Beatles e outros sucessos estrangeiros. Em 1979 encerarram o grupo, e ingressaram na indústria fonográfica tornando-se executivos das principais gravadoras multinacionais.

    Para o alto e avante!
     

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    comentários

    Capitão Márvel
    Capitão Márvel

    Legal! só faltou "Que fim levou Robin?"

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