Exaltação
No dicionário a palavra exaltação tem vários usos para serem aplicados na vida diária. É adequada para descrever o estado de uma pessoa irritada. É apropriada nas comemorações religiosas ou em caso de arrebatamento amoroso. Como neste momento do 78 RPM não há ninguém perdido de amor, irritado ou querendo exaltar o santo devoto, o termo exaltação será usado no sentido de glorificar o Brasil, suas cidades e sua cultura em forma de samba, choro, valsa e marcha.
A edição exaltada do programa mostra os grandes sambas-exaltação que tomaram conta do rádio no período do Estado Novo, decretado por Getúlio Vargas em 1937. É claro que Ary Barroso está presente. Ele é considerado o autor mais representativo do gênero, inaugurando a fórmula com “Aquarela do Brasil”, em 1939. Mas compôs outras obras, como “Rio de Janeiro” e “Isto aqui o que é?”.
O modelo inaugurado por Ary Barroso teve seguidores, o que deixou o compositor mal humorado com Alcyr Pires Vermelho, parceiro de David Nasser em “Canta Brasil”. Segunda consta, Ary Barroso rompeu relação com Alcyr, não se incomodando com David Nasser, autor da letra, e Francisco Alves, intérprete da música. Aliás, na edição impressa há a seguinte dedicatória: “A Francisco Alves que emprestou a Canta Brasil sua alma de artista”.
Alfinetadas à parte, a edição segue no clima altaneiro, com direito a críticas veladas para o norte da América, que naquele tempo andava com a política da boa vizinhança, bem-vinda em tempos de Guerra Mundial. “Adeus América” (Geraldo Jacques e Haroldo Barbosa) e “Brasil pandeiro” (Assis Valente) vangloriam o samba, em detrimento à cintura dura de Tio Sam.
O 78 RPM destaca o papel da Bahia. A terra de Dorival Caymmi, João Gilberto, Daniel Mercury e do axé é sempre lembrada por compositores e intérpretes de toda ordem e de todos os tempos, diga-se. O baiano Dorival Caymmi comparece com a composição “Você já foi à Bahia?”. O paulista Denis Brean compôs “Bahia com H”. Até mesmo o português Chianca de Garcia louvou a boa terra em “Exaltação à Bahia”, ao lado do paulistano Vicente Paiva.
A exaltação presente no programa comparece ainda em forma de choro (“Brasileirinho”), samba-enredo (“Brasil, fonte das artes”), valsa (“Valsa de uma cidade”) e marcha (“A taça do mundo é nossa”), para lembrar aqueles que preparam a Copa de 2014 como o país foi exaltado na conquista do mundo, do mundo da bola em 1958.
- Onde o céu azul é mais azul - Francisco Alves
Como o programa só tem uma hora, ele apresenta aqui uma faixa-bônus: “Onde o céu azul é mais azul”, música não incluída no programa, gravada por Francisco Alves em 1940, de Alcyr Pires Vermelho, Alberto Ribeiro e João de Barro.
- Exaltação - 78 RPM (Parte 1)
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78 RPM
Exaltação
Apresentado originalmente na RCB em 6 de novembro de 2011
Apresentação: Roberta Martinelli
Produção: Eduardo Weber
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