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  • A cantora durante o Heineken Concerts, em 1998. Marcos Penteado / CEDOC FPA

    Cássia, a inimitável

    Cirley Ribeiro | 28.12.2011

    Conheci Cássia Eller em 1989, durante entrevista no Aeroanta, casa de shows no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Mais tímida do que qualquer novata da música que já havia entrevistado, Cássia daria trabalho na hora da edição do material. Foi o que pensei ao ouvir as frases curtas - quase secas - da cantora que mal abria a boca para falar. Ainda mais envergonhada, deu-me uma fita-cassete com a música "Otário", composição de Bocato que gravaria no primeiro disco, em 1990. Só ouvi a fita quando voltei à Rádio Cultura para editar a entrevista. Mas a atuação de Cássia no palco, durante a passagem de som, logo me convenceu de que valeria a pena divulgar o trabalho da cantora.

    Voltei a entrevistar Cássia Eller em 1996, no estúdio da emissora, sobre o lançamento do álbum "Veneno antimonotonia", com o repertório de Cazuza. Àquela altura, ainda tímida para falar, Cássia já havia conquistado seu lugar na música brasileira com a voz poderosa e a performance visceral no palco.  "Veneno antimonotonia" foi o quinto disco, lançado em 1997, depois da primeira experiência ao vivo um ano antes, acompanhada dos violões de Walter Villaça e Luciano Maurício.

    A notícia da morte de Cássia Eller em 29 de dezembro de 2001 foi um “soco no estômago”. Havia acompanhado de perto a trajetória da carioca que se criou em Belo Horizonte e morou em cidades como Santarém, Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Aos 39 anos, vítima de três paradas cardiorrespiratórias, Cássia encerrava a carreira no auge, deixando para trás um mundo de possibilidades. E a pergunta? O que teria feito com mais dez anos de experiência e malandragem? Dona de uma personalidade inconfundível misturava uma timidez latente à rebeldia quase adolescente. Camaleoa, testou todas as estéticas. Conhecida como a herdeira musical de Cazuza e Renato Russo, Cássia Eller desafiava os padrões de uma forma espontânea. No palco, berrava, pulava, gesticulava e era capaz de tirar a roupa em momentos mais exaltados. Quando criança queria fugir com o circo, mas também pensou em ser cantora de ópera.

    O baixista Fernando Nunes, que acompanhou Cássia durante quase oito anos, até a morte dela em 2001, acredita que a cantora estaria ainda mais voltada à música brasileira e a prováveis misturas. “A Cássia era muito agregadora e estava começando a misturar tudo. O CD "Acústico MTV" é um exemplo da mudança que já vinha fazendo, incluindo samba e música francesa. Ela queria cantar as coisas boas do mundo”, conclui Fernando. Já o compositor Hermelino Néder, parceiro de Cássia na música "O marginal" (faixa-título do disco lançado em 1992), acredita que a cantora alcançaria um patamar musical acima de nomes como Elis Regina, Gal Costa e Marisa Monte. E o compositor Péricles Cavalcanti, autor da música "Eu queria ser Cássia Eller", opina: “A Cássia ainda estava em ascensão. Poderia fazer o quisesse que iria fazer bem. Sempre”.

    A série de reportagens do programa Galeria relembra o talento e a originalidade da cantora, por meio de depoimentos e de trechos de programas da TV Cultura, como Bem Brasil, Mosaicos e Metrópolis. Os entrevistados da série também citam as gravações preferidas na voz de Cássia Eller. 
     

    • Cássia Eller especial - Galeria (Parte 1)

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    Galeria

    Cássia, a inimitável

    Apresentado originalmente na RCB em 29 de dezembro de 2011
    Apresentação e produção: Cirley Ribeiro

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