Especial do choro paulistano
Criado há mais de 150 anos no Rio de Janeiro por funcionários públicos, barbeiros e músicos amadores, o choro é considerado o primeiro gênero musical urbano brasileiro.
Predominantemente instrumental, o choro viveu nos anos 1940 e 1950 seu melhor momento, principalmente graças ao sucesso internacional de composições do cavaquinista Waldir Azevedo, como "Brasileirinho" e "Delicado". Nesse período, Waldir dividia os holofotes com outro músico virtuoso, o bandolinista Jacob Pick Bittencourt, o Jacob do Bandolim.
Na década de 1970 o choro voltou a ganhar espaço em teatros, discos e na imprensa. Considerado o marco zero desta retomada, o show Sarau colocou em 1973 no mesmo palco o idealizador Paulinho da Viola e o Época de Ouro, conjunto regional criado por Jacob do Bandolim morto em 1969.
A capital paulista participou dessa retomada por meio de shows, festivais, discos e programas de TV. Um de seus protagonistas foi o jovem Helton Altman, que inaugurou um bar que se tornou um dos redutos do choro no começo dos anos 1980. O bar foi batizado com o nome de um dos clássicos de Pixinguinha, Vou Vivendo. Altman ainda foi um dos responsáveis pela criação da Rua do Choro e pelo festival Chorando Alto, realizado entre 1996 e 1998 no SESC Pompeia.
O choro paulistano teve alguns hiatos em sua história e mesmo assim sobreviveu graças aos músicos que nunca desistiram e ao fundo de lojas de instrumentos, como a Del Vecchio e a Contemporânea. Nesses ambientes são promovidas memoráveis rodas de choro nos finais de semana. Arnaldinho do Cavaco, violonista e cavaquinista responsável pelas rodas da Loja Contemporânea hoje em dia, relembra algumas histórias.
Foi também dentro dessas lojas que surgiu um dos bandolinistas que chamou a atenção pela sua precocidade e virtuosidade, Danilo Brito. Nas rodas de choro desde os nove anos, Brito lançou seu primeiro CD aos 14. Hoje, com três discos nas costas, é um dos principais nomes do bandolim brasileiro, ao lado de Hamilton de Holanda.
Carlos Poyares, Portinho, Izaías, Laércio de Freitas, Choro das Três, João Poleto, Alessandro Penezzi, Edmilson Capelupi, são alguns dos nomes que fizeram e fazem a história do choro na cidade de São Paulo. A pandeirista Roberta Valente, que sempre se envolveu e lutou pela divulgação desses artistas, hoje está por trás do projeto O panorama do choro contemporâneo paulistano, iniciativa contemplada pelo PROAC e que deve lançar uma série CDs.
Este pequeno especial, levado ao ar na Rádio Cultura Brasil originalmente no dia 23 de abril, o Dia Nacional do Choro, entrevistou Roberta Valente, o produtor Helton Altman, o bandolinista Danilo Brito e o violonista e cavaquinista Arnaldinho. Cada um conta um pouco da história do gênero na cidade de São Paulo.
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